200 mil neurônios humanos aprendem a jogar doom num chip híbrido

Avanço tecnológico une células cerebrais vivas e computação para superar desafios cognitivos em videogame clássico

200 mil neurônios humanos aprendem a jogar doom num chip híbrido
Neurônios cultivados em chip interagem com jogo Doom em experimento inovador.

Um chip híbrido com 200 mil neurônios humanos vivos aprendeu a jogar Doom, revelando avanços em computação biológica.

Progresso do uso de neurônios humanos em computação híbrida

Desde o final dos anos 1990, o cultivo de neurônios sobre matrizes de microeletrodos (MEAs) abriu caminho para estudos pioneiros sobre comportamento neural. Inicialmente focado em ciência básica, esse campo evoluiu para experimentos que condicionam redes neurais a responder a estímulos repetidos, criando bases para computação biológica. Em 2021, a empresa australiana Cortical Labs introduziu o DishBrain, onde neurônios receberam feedback para aprender a jogar “Pong”. O avanço mais recente é o CL-1, que usa 200 mil neurônios humanos para jogar o complexo jogo de tiro em primeira pessoa Doom.

Detalhes do experimento com o jogo Doom e neurônios em chip

O CL-1 posiciona as células cerebrais humanas sobre um microchip equipado com múltiplos eletrodos, permitindo comunicação bidirecional entre o tecido vivo e o ambiente digital do videogame Doom. Essa configuração traduz estímulos do jogo em sinais elétricos para os neurônios e interpreta os padrões de disparo resultantes para controlar ações no jogo, como atirar ou mover o personagem. Sem programação explícita para associar padrões a comportamentos, os neurônios aprenderam espontaneamente por meio de feedback, mostrando uma forma de inteligência orgânica adaptativa.

Impacto do aprendizado adaptativo em tempo real na computação biológica

A capacidade dos 200 mil neurônios humanos de aprender e reagir ao ambiente complexo e imprevisível de Doom representa um avanço cognitivo significativo. Diferentemente de sistemas tradicionais de inteligência artificial baseados em silício, que demandam milhões de simulações para alcançar desempenho similar, o sistema biológico demonstrou aprendizado rápido e eficiente. Esse desempenho destaca a plasticidade e eficiência energética inerentes ao tecido neural humano, indicando que a fusão de wetware e hardware pode superar limitações atuais da computação convencional.

A computação orgânica híbrida como alternativa para os desafios do silício

O desempenho do CL-1 sugere que a tecnologia wetware — a integração de tecido cerebral com hardware eletrônico — pode ser uma solução para os desafios enfrentados pela computação baseada em silício, como eficiência energética e velocidade de aprendizado. O experimento não apenas comprova a viabilidade dessa fusão, mas também abre caminho para novas abordagens em inteligência artificial e neurociência, onde sistemas biológicos e digitais trabalham em sinergia para tarefas complexas.

Perspectivas futuras para pesquisas com neurônios humanos em microchips

A experiência do CL-1 amplia as fronteiras da interação entre biologia e tecnologia, oferecendo uma plataforma para estudar aprendizagem e reorganização neural em tempo real frente a estímulos externos. Pesquisas futuras poderão explorar aprimoramentos na comunicação entre neurônios e máquinas, além de aplicações em áreas como robótica, medicina e computação cognitiva, onde a eficiência e adaptabilidade do cérebro humano podem ser combinadas com o processamento digital para criar sistemas inovadores e mais inteligentes.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br