Holden Thorp critica cortes governamentais e suas consequências para a pesquisa e educação superior

Holden Thorp considera 2025 um ano crítico para a ciência nos EUA, devido aos cortes governamentais.
2025: um ano turbulento para a ciência nos Estados Unidos
Em um editorial publicado nesta quinta-feira (27), Holden Thorp, editor-chefe do grupo Science, classificou 2025 como “um dos anos mais tumultuados da história” da ciência nos Estados Unidos. Thorp criticou os cortes implementados pela gestão Donald Trump, destacando que esses cortes atingiram projetos fundamentais e podem resultar na perda de uma geração de talentos na área. Professor na Universidade de Georgetown, em Washington, Thorp é químico de formação e está à frente do grupo Science desde 2019.
Na avaliação de Thorp, as ações do governo republicano têm “efeitos particularmente danosos para o público tradicionalmente excluído da ciência”, afetando programas que visam inclusão e diversidade. Ele também expressou preocupação com a potencial repercussão negativa na atração de pesquisadores estrangeiros para atuar em solo americano. “Isso é ruim para todos. Os EUA perderão talentos excepcionais necessários para realizar pesquisas e a comunidade científica mundial perderá excelentes cientistas”, afirmou Thorp.
Thorp ressaltou que a principal motivação para essas perdas é o uso político de Trump em atacar não apenas a ciência, mas também a educação superior como um todo. Ele questionou como os líderes acadêmicos e suas instituições contribuíram para essa situação, lembrando que muitas das instituições que sofreram os maiores cortes se submeteram aos ataques do governo. O presidente Trump pressionou algumas das universidades mais renomadas e ameaçou cortes de verbas federais caso projetos não fossem cancelados, resultando na demissão de funcionários e interrupção de programas de longa data, como os de erradicação da malária e do HIV.
Para Thorp, existe uma desconexão entre a população americana e a importância do financiamento em ciência. Ele citou um dado que revela que apenas 42% dos americanos apoiam a educação superior, uma porcentagem similar àqueles que possuem diploma universitário. Essa realidade indica que muitos não compreendem o valor dos investimentos em pesquisa e educação. Em seu editorial, ele defendeu que os educadores que continuam fazendo um trabalho excepcional merecem reconhecimento, já que serão essenciais para os avanços futuros na ciência.
“Aqueles que inspiram a próxima geração de cientistas merecem elogios que sejam iguais aos dados a indivíduos que fazem impressionantes avanços científicos. Certamente, será difícil alcançar novos avanços sem o contínuo trabalho desses educadores”, concluiu Thorp.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Octavio Jones/The New York Times





