56% dos moradores de 10 capitais fazem bicos, diz pesquisa

Estudo revela que muitos brasileiros buscam renda extra na informalidade

56% dos moradores de 10 capitais fazem bicos, diz pesquisa
Trabalhadores buscam atividades extras para complementar a renda.

Pesquisa revela que 56% dos moradores de 10 capitais brasileiras fazem bicos para complementar a renda.

56% dos moradores de 10 capitais fazem bicos

Uma recente pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis, em colaboração com o Ipsos-Ipec e a Fundação Volkswagen, revelou que 56% dos brasileiros residentes em dez capitais recorrem a trabalhos informais para complementar sua renda. O levantamento, realizado entre 1º e 20 de julho de 2025, destaca a crescente informalidade no mercado de trabalho e as estratégias que os cidadãos utilizam para enfrentar as dificuldades econômicas.

Antecedentes do tema

O estudo abrangeu as capitais de Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, focando em pessoas com 16 anos ou mais que residem nessas cidades há pelo menos dois anos e pertencem às classes A, B, C, D e E. Com uma margem de erro de 2 pontos percentuais, os dados foram coletados de forma on-line, refletindo a realidade de uma população que enfrenta desafios financeiros.

O que foi decidido/dito

Os resultados do levantamento indicam que:

  • Os serviços gerais, como faxina e jardinagem, representam 17% das atividades informais.
  • A venda de roupas e artigos usados ocupa a segunda posição, com 12% das respostas.
  • A produção de alimentos caseiros para comercialização figura em terceiro lugar, com 9% das menções.
  • A revenda de cosméticos e produtos de beleza corresponde a 8% das citações.
  • Atividades como motorista ou entregador por aplicativo, trabalhos manuais e serviços de beleza somam 7% cada.

Diferenças regionais na busca por renda extra

O estudo revelou grandes variações regionais. Belém apresenta o maior percentual de pessoas em busca de renda extra, com 70%, seguida de Manaus (69%) e Fortaleza (65%). Em contrapartida, Porto Alegre é a capital com o menor índice, com apenas 47% dos entrevistados recorrendo a trabalhos informais.

A pesquisa também identificou que a necessidade de renda adicional é mais acentuada entre certos grupos. Pessoas com rendimento familiar de até dois salários mínimos e aquelas que convivem com pessoas com deficiência alcançam 68%. Além disso, integrantes das classes D e E (65%), pretos e pardos (63%), evangélicos e protestantes (63%) e indivíduos com ensino médio (62%) apresentam índices elevados.

Mobilidade social e situação financeira

O levantamento também abordou questões de mobilidade social, revelando que 72% dos entrevistados alcançaram uma escolaridade superior à de seus pais, 47% melhoraram suas condições de moradia e 45% têm uma renda superior à que seus pais tinham na mesma idade.

Quanto à situação financeira nos últimos 12 meses, 34% relataram uma diminuição nos ganhos, 40% mantiveram a renda estável e 17% conseguiram aumentá-la. Essas informações evidenciam as dificuldades enfrentadas pela população em um cenário econômico desafiador.

Mudanças nos hábitos de consumo

O estudo também identificou mudanças significativas nos hábitos de consumo entre os entrevistados. Nos últimos 12 meses, 41% reduziram o consumo de carnes, enquanto 29% aumentaram a compra de ovos. Essas alterações refletem a adaptação da população a um contexto de inflação e dificuldades financeiras.

Percepções sobre fome e pobreza

Por fim, a pesquisa abordou a percepção dos entrevistados sobre fome e pobreza. Dois terços dos participantes (66%) acreditam que esses problemas aumentaram em suas capitais no último ano. Dentre eles, 39% indicaram um aumento significativo e 27% um crescimento moderado. Esses dados ressaltam a urgência de políticas públicas que abordem a desigualdade e a pobreza no Brasil.

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