Pesquisa aponta que variações no DNA podem explicar diferenças nos resultados e efeitos colaterais dos análogos de GLP-1

Estudo recente identifica que diferenças genéticas influenciam a eficácia e efeitos colaterais dos medicamentos Ozempic e Mounjaro na perda de peso.
Como a genética influencia a perda de peso com Ozempic e Mounjaro
O estudo publicado na revista Nature trouxe novos insights sobre a perda de peso com Ozempic e Mounjaro ao demonstrar que a genética do paciente tem papel relevante nos resultados. A pesquisa acompanhou cerca de 28 mil pessoas, com IMC médio de 35, durante aproximadamente oito meses de tratamento, observando variações expressivas na eficácia do medicamento. A semaglutida e a tirzepatida, componentes ativos desses fármacos, atuam como análogos de GLP-1, mas a resposta individual varia significativamente, com alguns pacientes perdendo até 25% do peso inicial e outros menos de 5%. Esse fenômeno reforça a importância da genética aliada a outros fatores clínicos para entender a resposta ao tratamento.
Fatores clínicos que afetam o emagrecimento e o papel da genética
Além da genética, o estudo confirma que variáveis como gênero, idade, dosagem e presença de diabetes tipo 2 influenciam os resultados da perda de peso. Mulheres tendem a emagrecer mais que homens, e pacientes diabéticos apresentam resposta mais limitada. Contudo, essas características explicam apenas parte das diferenças observadas. A descoberta da variante genética rs10305420 no gene GLP1, que está relacionada a uma perda de peso maior e a maior incidência de efeitos colaterais como náuseas e vômitos, amplia a compreensão dos mecanismos envolvidos. No caso do Mounjaro, que atua nos receptores GLP-1 e GIP, uma variação no gene GIPR também foi associada a efeitos adversos gastrointestinais.
Relação entre efeitos colaterais e eficácia do tratamento com GLP1
Os pesquisadores notaram uma correlação entre o surgimento de sintomas gastrointestinais e maior perda de peso, indicando que as mesmas vias fisiológicas podem estar envolvidas em ambos os processos. Esse dado ajuda a explicar por que pacientes que apresentam náuseas frequentemente também apresentam resultados mais expressivos. Essa associação evidencia a complexidade do tratamento e reforça a necessidade de estratégias que considerem tanto a eficácia quanto o conforto do paciente durante o uso dos medicamentos.
Desenvolvimento de modelos de inteligência artificial para personalizar tratamentos
Com base nos dados clínicos e genéticos coletados, os autores criaram modelos de inteligência artificial para prever a resposta individual ao tratamento com Ozempic e Mounjaro. Apesar desses modelos apresentarem desempenho moderado — com acerto entre 65% e 68% na previsão de efeitos adversos —, eles representam um avanço rumo a uma medicina personalizada. A possibilidade de ajustar o tratamento ao perfil genético e clínico do paciente pode otimizar a eficácia e minimizar os efeitos colaterais, abrindo caminho para abordagens terapêuticas mais individualizadas.
Limitações do estudo e desafios para a aplicação prática no Brasil
Entre as limitações destacadas está o fato de que grande parte dos dados foi autorrelatada, o que pode comprometer a precisão das informações. Adicionalmente, a predominância de participantes com ascendência europeia dificulta a generalização dos resultados para populações miscigenadas, como a brasileira, que apresenta alta diversidade genética. Outro ponto é que a pesquisa analisou apenas os medicamentos originais, enquanto versões similares ou manipuladas têm riscos associados que não foram avaliados. Por fim, os efeitos genéticos identificados são modestos e fazem parte de um conjunto complexo que inclui estilo de vida e condições clínicas, reforçando que o tratamento deve ser amplamente individualizado para ser eficaz.





