Conflito prolongado no Estreito de Ormuz ameaça ecossistemas marinhos vitais, segundo pesquisadores ambientais

O prolongamento da guerra no Estreito de Ormuz ameaça a vida subaquática e a diversidade de corais locais, segundo cientistas.
Confira o impacto da guerra na vida subaquática do Estreito de Ormuz
A vida subaquática no Estreito de Ormuz enfrenta sérios riscos com o prolongamento da guerra na região, conforme evidenciado por monitoramentos recentes. Cientistas e organizações ambientais destacam que aproximadamente 2.000 embarcações permanecem retidas no Golfo Pérsico, transportando cerca de 21 bilhões de litros de petróleo, o que aumenta a probabilidade de derramamentos e danos ambientais.
Localização: Estreito de Ormuz, entre Irã, Omã e Emirados Árabes Unidos
Quantidade de embarcações retidas: Cerca de 2.000
Volume estimado de petróleo: Aproximadamente 21 bilhões de litros
Eventos de ataques a navios: Pelo menos 16 desde o início do conflito
A importância ecológica do Estreito de Ormuz para a biodiversidade marinha
O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica que conecta o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico, apresentando uma transição única entre águas profundas e frias e águas rasas e quentes. Essa localização geográfica cria um ambiente favorável para uma grande diversidade biológica, incluindo a população mais diversificada de corais na região, além de golfinhos, tartarugas marinhas e baleias-jubarte-arábicas, espécie criticamente ameaçada.
Aaron Bartholomew, professor de biologia da Universidade Americana de Sharjah, define o estreito como a “coroa ecológica do Golfo”, ressaltando a resistência dos recifes de coral locais, mesmo após eventos de branqueamento causados pelo aumento da temperatura.
Consequências dos derramamentos de petróleo para os organismos marinhos
O prolongamento do conflito e os frequentes ataques a navios têm resultado em manchas de óleo, incluindo vazamentos do navio iraniano Shahid Bagheri, que permanece vazando próximo ao Estreito de Khuran. Martin Grosell, professor da Universidade de Miami, explica que os compostos presentes no petróleo bruto comprometem funções cardíacas e respiratórias dos animais, além de afetar o sistema nervoso, prejudicando suas habilidades sensoriais e de navegação.
Essa exposição prolongada gera uma sobrecarga no sistema imunológico dos animais, tornando-os mais vulneráveis a doenças e outras agressões ambientais, o que pode desencadear impactos negativos em toda a cadeia alimentar marinha.
Os riscos para o turismo e as comunidades locais na Província de Musandam
Antes do conflito, a Província de Musandam, em Omã, era reconhecida pelo turismo de mergulho e observação de golfinhos. Os danos aos ecossistemas marinhos colocam em risco a sustentabilidade dessas atividades econômicas e culturais importantes para a região. Além disso, a destruição dos habitats pode afetar diretamente as comunidades costeiras que dependem da pesca e do turismo ambiental como fonte de renda.
Medidas de monitoramento e urgência para preservar o ecossistema marinho
Organizações como o Greenpeace realizam monitoramento constante das condições ambientais no Golfo Pérsico, detectando manchas de óleo e avaliando os impactos ecológicos. A comunidade científica alerta para a necessidade de cessar-fogo prolongado e ações de contenção imediatas para evitar danos irreversíveis.
A preservação do Estreito de Ormuz é fundamental para manter a biodiversidade e garantir a saúde dos ecossistemas marinhos que sustentam a vida subaquática e as economias locais na região.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images





