Café e cacau impulsionam alta na bolsa de Nova York em meio a incertezas globais

Fatores geopolíticos e início da colheita no Brasil afetam preços das commodities agrícolas em Nova York

Café e cacau impulsionam alta na bolsa de Nova York em meio a incertezas globais
Grãos de café sendo processados em instalação brasileira. Foto: Francis Kokoroko

Café e cacau registram forte alta na bolsa de Nova York devido a incertezas no Estreito de Ormuz e início da colheita no Brasil.

O mercado de café e cacau na bolsa de Nova York iniciou a semana com forte alta, influenciado por incertezas geradas pela instabilidade na região do Estreito de Ormuz e pelo início da colheita da safra brasileira em abril de 2026. O Brasil, maior produtor e exportador mundial dessas commodities, tem papel central na dinâmica do mercado global, conforme apontam especialistas em agronegócio.

Impactos das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz para café e cacau

As recentes tensões na rota marítima do Estreito de Ormuz têm causado preocupação sobre a segurança dos fluxos logísticos globais, afetando o comércio internacional de commodities. Essa conjuntura elevou a cautela dos investidores, refletida no aumento dos contratos futuros de café e cacau na bolsa de Nova York, especialmente aqueles com vencimento em julho, que subiram respectivamente 4,47% e 3,69% em suas primeiras negociações da semana.

Início da colheita brasileira e suas influências nos preços internacionais

A abertura oficial da colheita de café arábica no Brasil, anunciada para abril de 2026, impactou diretamente o mercado. Apesar da expectativa de maior oferta, o preço do café apresentou oscilações na semana anterior, evidenciando a complexidade do cenário. A movimentação no preço do cacau também foi significativa, impulsionada pela crescente demanda e pelas incertezas econômicas globais.

Estoques certificados e dinâmica do contrato de cacau na Intercontinental Exchange

Apesar da valorização do cacau, os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos apresentaram queda de 5,5 mil sacas, totalizando 2,6 milhões, indicando ainda uma disponibilidade física considerável para o curto prazo. O início da liquidação física do contrato de maio, prevista para 24 de abril, deve promover ajustes na curva futura e nos spreads, o que pode influenciar a volatilidade do mercado nas próximas semanas.

Estabilidade do mercado de açúcar diante da safra 2026/27 e oferta global

Os contratos de açúcar mantêm estabilidade, cotados a cerca de 13,48 centavos de dólar por libra-peso, refletindo a expectativa de uma oferta global elevada, com crescimento da produção em países como Brasil, Índia e Tailândia. A safra brasileira 2026/27, iniciada no mês atual, contribui para ampliar a disponibilidade do produto no mercado internacional, equilibrando os preços após uma trajetória de queda iniciada em março de 2025.

Recuo nos preços do algodão em contexto de influências externas

O mercado de algodão registrou queda de 1,12% nos contratos com vencimento em julho, negociados a 78,93 centavos de dólar por libra-peso. A retração está associada ao impacto dos preços do petróleo e às condições climáticas nos Estados Unidos, evidenciando a sensibilidade dessa commodity a fatores externos e macroeconômicos.

A conjuntura atual dos mercados de café e cacau evidencia a complexa interação entre geopolítica, safras agrícolas, estoques físicos e expectativas de demanda global. Para analistas e agentes do setor, acompanhar esses elementos é fundamental para compreender as possíveis oscilações e planejar estratégias diante das incertezas que marcam o mercado internacional de commodities agrícolas.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Francis Kokoroko