Portugueses podem ter chegado ao Brasil pelo Rio Grande do Norte, indica estudo

Nova pesquisa científica sugere que a esquadra de Pedro Álvares Cabral teria aportado inicialmente no litoral potiguar, reformulando a narrativa tradicional do descobrimento

Portugueses podem ter chegado ao Brasil pelo Rio Grande do Norte, indica estudo
Estudo aponta que portugueses podem ter aportado no litoral do Rio Grande do Norte. Foto: Thomaz Coelho/CNN

Pesquisa indica que portugueses chegaram ao Brasil pelo litoral do Rio Grande do Norte, e não pela Bahia, como tradicionalmente se acredita.

Confira a hipótese da chegada dos portugueses pelo Rio Grande do Norte

A pesquisa que indica que os portugueses chegaram ao Brasil pelo litoral do Rio Grande do Norte, e não pela Bahia, como tradicionalmente divulgado, baseia-se em análises científicas recentes que envolvem dados da carta de Pero Vaz de Caminha, além de simulações de ventos, correntes marítimas e profundidade do oceano. Segundo os físicos Carlos Chesman (UFRN) e Cláudio Furtado (UFPB), essa rota natural favoreceria o desembarque próximo ao município de São Miguel do Gostoso, a aproximadamente 100 km de Natal.

Detalhes da rota natural e seus pontos estratégicos analisados pela pesquisa

A investigação sugere que a frota teria seguido uma trajetória em “S” influenciada pelos ventos atlânticos, chegando primeiramente à região potiguar. Pontos importantes dessa rota incluem:
Maxaranguape: possível ponto de avistamento do Monte Serra Verde
Praia do Zumbi (Rio do Fogo): primeira aproximação da frota
Barra do Punaú: possível foz de rio mencionada na carta
Praia do Marco (Touros): local provável de ancoragem e desembarque
Cabo de São Roque: referência geográfica e ponto estratégico de navegação
Barreira do Inferno (Natal): possível correspondência às “grandes barreiras vermelhas” descritas

Ao contrário da rota em linha reta para Porto Seguro, essa trajetória é compatível com as condições de navegação do século XV, conforme simulada pelos pesquisadores.

Método científico e cruzamento de dados históricos e físicos

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores aplicaram o método científico tradicional, realizando a conversão das medidas da carta de Caminha para valores métricos e interpretando os dados sob a perspectiva física e matemática. Utilizaram softwares como QGIS para simular correntes e ventos e realizaram expedições marítimas para reproduzir a visão descrita pelos portugueses, navegando cerca de 30 km da costa potiguar.

Impactos culturais e educacionais da nova hipótese para o Rio Grande do Norte

A teoria ganha força não apenas na academia, mas também na cultura local. O historiador Laécio de Jesus destaca que as condições geográficas da costa potiguar, como os “beachwalks” e formações rochosas sinuosas, corroboram a dificuldade de aproximação direta das caravelas, exigindo embarcações menores. Nas escolas do Rio Grande do Norte, professores como Thalysson Diogo apresentam aos alunos versões múltiplas do descobrimento para estimular o pensamento crítico.

Influência da nova narrativa histórica no turismo regional

Além do debate acadêmico, a hipótese tem repercussão econômica e turística. Cidades como São Miguel do Gostoso estão adaptando roteiros turísticos para incluir os locais associados à nova rota, atraindo visitantes interessados na história alternativa. Dados recentes indicam um aumento significativo no turismo estrangeiro no estado, o que pode ser impulsionado pelo interesse gerado pela pesquisa.

Apesar dos avanços, os pesquisadores reconhecem que não há prova definitiva e que a validação da teoria depende de estudos futuros e do tempo. A pesquisa, porém, restabelece uma linha investigativa já discutida anteriormente, promovendo novas reflexões sobre a história do Brasil.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Thomaz Coelho/CNN