Solidão aumenta riscos e diminui sobrevida de idosos com câncer

Isolamento social é fator crítico que afeta tratamento e qualidade de vida na oncologia geriátrica

Solidão aumenta riscos e diminui sobrevida de idosos com câncer
Solidão pode ser um fator de risco relevante para pacientes idosos com câncer • Freepik

A solidão em idosos com câncer eleva o risco clínico, prejudica adesão ao tratamento e reduz a sobrevida desse grupo vulnerável.

Impactos da solidão em idosos com câncer na sobrevida e tratamento

A solidão em idosos com câncer é um fator crítico que eleva o risco clínico e reduz a sobrevida, conforme evidenciado por um consenso internacional publicado na revista The Lancet Healthy Longevity. Essa condição, definida como uma experiência subjetiva negativa causada pela discrepância entre as relações sociais desejadas e reais, afeta diretamente a adesão ao tratamento oncológico e a intensidade dos sintomas. A oncologista Patrícia Taranto, do Einstein Hospital Israelita, destaca que a solidão pode levar à diminuição da motivação e adesão, comprometendo a relação do paciente com a doença e os objetivos terapêuticos.

Mecanismos biológicos envolvidos na influência da solidão no câncer em idosos

O isolamento social prolongado atua sobre o eixo neuroimunoendócrino, elevando níveis de cortisol e promovendo inflamação sistêmica, por meio do aumento de interleucinas. Essas alterações biológicas fragilizam ainda mais o sistema imunológico já comprometido dos pacientes oncológicos idosos. Segundo o psiquiatra Marcus Kiiti Borges, a perda de vínculos sociais decorrente de eventos adversos como a morte de entes queridos e limitações físicas contribui para o isolamento, intensificando o estresse crônico que impacta negativamente os mecanismos de defesa do organismo.

Barreiras sociais e econômicas que agravam o isolamento de idosos com câncer

O consenso internacional ressalta que fatores como pobreza, residir em áreas rurais e distância dos centros especializados amplificam as dificuldades de acesso ao tratamento. O declínio funcional associado à idade dificulta a mobilidade e o comparecimento a consultas e exames, criando um ciclo de negligência que deteriora a qualidade de vida e aumenta a mortalidade. A aposentadoria e a sensação de inutilidade também podem intensificar o sentimento de vazio e isolamento social entre idosos.

Estratégias multidisciplinares para enfrentar a solidão em pacientes oncológicos idosos

Para mitigar os efeitos nocivos da solidão, os especialistas recomendam uma abordagem integrada envolvendo oncologistas, geriatras, psicólogos e assistentes sociais. Entre as ações práticas estão a criação de grupos de apoio presenciais, que promovem a troca de experiências e reduzem o isolamento; a prática de atividades físicas em grupo, que combinam benefícios fisiológicos com estímulo social; e visitas domiciliares para pacientes com mobilidade reduzida. Essas intervenções visam restaurar o contato humano, aumentar a empatia e fortalecer a motivação para o seguimento do tratamento.

Relevância da conscientização sobre a solidão como fator de risco clínico em oncologia geriátrica

Reconhecer a solidão como um determinante crítico da saúde em idosos com câncer é fundamental para melhorar os desfechos terapêuticos e a qualidade de vida dessa população. A ampliação do conhecimento sobre esse tema pode impulsionar políticas públicas e práticas clínicas que integrem suporte social e emocional no cuidado oncológico. O envolvimento de múltiplas especialidades na atenção ao paciente é uma estratégia promissora para enfrentar os desafios impostos pelo isolamento social e reduzir o impacto da solidão na mortalidade e no bem-estar dos idosos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br