Brasileiros batem recorde de gastos no exterior com dólar em queda

Despesas em viagens internacionais atingem R$ 6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o maior valor da série histórica

Brasileiros batem recorde de gastos no exterior com dólar em queda
Pessoa conta notas de 100 dólares Foto: REUTERS/Willy Kurniawan

Com o dólar em queda, brasileiros registram gastos recordes em viagens ao exterior no primeiro trimestre de 2026.

Recorde histórico nos gastos no exterior com dólar em queda

Os gastos no exterior dos brasileiros alcançaram R$ 6,044 bilhões nos três primeiros meses de 2026, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica. Este crescimento de 21,9% em comparação ao primeiro trimestre de 2025 ocorre em um contexto de queda do dólar frente ao real, que no ano acumula desvalorização de 8,82%. A valorização cambial tem influenciado diretamente a decisão dos brasileiros de ampliar despesas em viagens internacionais, refletindo uma maior confiança e capacidade de consumo fora do país.

Análise do impacto da valorização do real sobre viagens internacionais

A apreciação do real torna os gastos em moeda estrangeira relativamente mais baratos para os brasileiros, estimulando o turismo internacional e o consumo no exterior. Essa dinâmica foi evidente em março de 2026, quando os gastos mensais atingiram R$ 2 bilhões, um avanço de 25% em relação a março de 2025. A redução do custo cambial favorece a ampliação do número de viagens e o aumento do consumo durante essas viagens, incluindo hospedagem, alimentação, transporte e lazer. Além disso, a retomada das viagens após a pandemia contribui para o crescimento contínuo das despesas no exterior.

Evolução histórica dos gastos internacionais dos brasileiros

Desde 2020, os gastos dos brasileiros no exterior apresentam tendência de crescimento, com algumas oscilações relacionadas ao cenário econômico e sanitário global. Em 2020, esses gastos foram de R$ 2,9 bilhões, caindo para R$ 860,4 milhões em 2021 em função das restrições da pandemia. Nos anos seguintes, houve recuperação progressiva: R$ 2,8 bilhões em 2022, R$ 3,8 bilhões em 2023, R$ 4,4 bilhões em 2024 e R$ 5 bilhões em 2025. O salto para R$ 6 bilhões em 2026 destaca a combinação de fatores como a melhora do cenário econômico doméstico, a queda do dólar e a retomada do turismo.

Consequências para a balança de pagamentos e o mercado cambial

O aumento dos gastos no exterior impacta diretamente a balança de pagamentos do Brasil, contribuindo para o déficit em conta corrente. Essa dinâmica pode exercer pressão sobre a cotação do dólar, apesar da apreciação recente do real. As autoridades monetárias acompanham atentamente esses indicadores para ajustar políticas cambiais e garantir a estabilidade financeira. A tendência de crescimento dos gastos internacionais exige estratégias equilibradas para estimular o turismo doméstico sem comprometer o fluxo financeiro externo.

Perspectivas para os próximos meses com cenário cambial e turismo

Com a moeda americana fechando acima de R$ 5,00 em abril, pela primeira vez em duas semanas, o cenário cambial demonstra volatilidade que pode influenciar o ritmo dos gastos dos brasileiros no exterior. Caso o dólar mantenha a tendência de queda, é possível que os brasileiros continuem elevando suas despesas internacionais. Por outro lado, fatores externos e negociações comerciais internacionais podem alterar esse panorama. O setor de turismo e o mercado financeiro monitoram essas tendências para planejar investimentos e políticas que possam equilibrar o fluxo econômico entre viagens nacionais e internacionais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: REUTERS/Willy Kurniawan