Novo método revela cronotipo sem exames complexos e mostra que rotina de trabalho modifica o ritmo circadiano

Pesquisa desenvolve teste que identifica o relógio biológico pela raiz do cabelo e revela impacto do trabalho no ritmo circadiano.
A nova abordagem para identificar o relógio biológico pela raiz do cabelo
O estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) apresenta o HairTime, um método inovador que utiliza uma única amostra do folículo capilar para estimar o cronotipo, o que significa identificar se a pessoa é matutina, vespertina ou intermediária. Essa técnica analisa a atividade de 17 genes relacionados ao ritmo circadiano presentes nas células do cabelo, dispensando exames longos e caros como o DLMO, tradicionalmente usado para medir o ciclo biológico.
Como o trabalho influencia e reprograma o relógio biológico
A pesquisa com mais de quatro mil participantes mostrou que pessoas empregadas têm o relógio biológico cerca de 30 minutos adiantado em relação àquelas sem emprego. Isso evidencia que o horário de trabalho não apenas favorece indivíduos com cronotipo matutino, mas também pode remodelar o ritmo interno. Essa plasticidade do relógio biológico desafia a ideia de que ele é fixo, indicando que fatores externos exercem influência significativa sobre o ciclo circadiano.
Variações do cronotipo ao longo da vida e entre gêneros
O estudo confirmou que jovens adultos, na faixa dos 20 anos, tendem a ter o relógio biológico atrasado, preferindo dormir e acordar mais tarde, enquanto pessoas acima dos 50 anos apresentam essa fase adiantada. Além disso, segundo o autor sênior Achim Kramer, mulheres possuem o início da noite biológica ligeiramente mais cedo que homens, possivelmente devido à influência dos hormônios sexuais sobre os ritmos biológicos.
Implicações clínicas e o futuro da cronoterapia personalizada
O avanço do HairTime abre possibilidades para a medicina, especialmente na cronoterapia, que adapta tratamentos ao ritmo circadiano individual visando maior eficácia e menos efeitos adversos. Como o relógio biológico impacta metabolismo, resposta imune e absorção de medicamentos, essa ferramenta pode revolucionar práticas clínicas na oncologia e medicina do sono. No entanto, a aplicação ampla depende da validação do método em populações mais diversas e do estabelecimento de protocolos padronizados para coleta e análise.
Desafios para a implementação do HairTime em contextos clínicos variados
Apesar do potencial do HairTime, o estudo ressaltou a predominância de participantes europeus, o que limita a generalização dos resultados. Para que o método seja incorporado na rotina médica, serão necessárias pesquisas complementares que incluam diferentes grupos étnicos e culturais. Além disso, protocolos claros para a coleta da amostra e interpretação dos dados precisam ser desenvolvidos para garantir a confiabilidade e reprodutibilidade do teste.
O desenvolvimento desse exame simples e não invasivo aproxima a cronobiologia da prática clínica diária, reforçando que o momento da administração de tratamentos pode ser tão decisivo quanto sua própria natureza. Essa transformação pode significar uma nova era na personalização da saúde, beneficiando pacientes e profissionais com informações precisas sobre o ritmo interno que rege funções vitais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





