Copom sinaliza cortes cautelosos na Selic diante de incertezas globais

Banco Central deve reduzir taxa Selic, mas adota postura prudente em meio a tensões internacionais e pressões inflacionárias

Copom sinaliza cortes cautelosos na Selic diante de incertezas globais
Fachada do edifício sede do Banco Central do Brasil em Brasília. Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O Copom reduz a Selic com cautela, equilibrando cortes na taxa diante do cenário global instável e pressões inflacionárias no Brasil.

Copom reduz Selic para 14,75% e mantém tom cauteloso em 29 de abril de 2026

O Copom reduz Selic para 14,75% ao ano nesta quarta-feira (29/4), adotando uma postura de cautela diante do cenário global marcado pela escalada do conflito no Oriente Médio. A decisão reflete o aumento das incertezas internacionais e seus efeitos sobre os preços de energia, que influenciam diretamente a inflação no Brasil. O Banco Central, por meio do Comitê, busca equilibrar o estímulo à economia com o controle das pressões inflacionárias persistentes.

Impactos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação brasileira

A intensificação do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevou os preços do petróleo no mercado internacional, pressionando o custo dos combustíveis no Brasil. Esse aumento afeta a cadeia produtiva e o transporte, refletindo em alta nos preços ao consumidor. Além disso, a volatilidade cambial devido ao ambiente externo mais turbulento contribui para a desancoragem das expectativas inflacionárias, exigindo maior prudência do Copom na condução da política monetária.

Estratégia do Banco Central frente ao cenário incerto

Apesar de a inflação acumulada em 12 meses estar em 4,14%, dentro do intervalo de tolerância da meta, o Copom sinaliza que os cortes na Selic serão mais graduais. A expectativa do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, acompanhada de comunicação mais conservadora para preservar a credibilidade da política monetária. O Banco Central enfatiza a dependência dos próximos passos em dados concretos, reforçando o compromisso com a estabilidade dos preços.

Perspectivas para a política monetária em 2026

A trajetória esperada da taxa Selic aponta para uma redução gradual até aproximadamente 13% no final do ano, refletindo a necessidade de cautela diante dos riscos externos e da inflação ainda pressionada. O cenário demanda um delicado equilíbrio entre promover o crescimento econômico e evitar a aceleração dos preços, considerando que projeções indicam ceticismo quanto à possibilidade de retornos a patamares de um dígito durante o atual governo e mandato do presidente Gabriel Galípolo no Banco Central.

Calendário das reuniões do Copom em 2026

27 e 28 de janeiro
17 e 18 de março
28 e 29 de abril
16 e 17 de junho
4 e 5 de agosto
15 e 16 de setembro
3 e 4 de novembro
8 e 9 de dezembro

Esses encontros são fundamentais para o acompanhamento contínuo da conjuntura econômica, permitindo ajustes na taxa Selic conforme a evolução dos dados econômicos e das incertezas globais. O Copom continuará monitorando atentamente os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação e o câmbio, calibrando a política monetária para garantir a estabilidade dos preços e o equilíbrio da economia brasileira.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto