Jorge Messias enfrenta sabatina decisiva para vaga no STF nesta quarta

Após cinco meses de espera, advogado-geral da União passa por avaliação na CCJ do Senado com expectativa de aprovação

Jorge Messias enfrenta sabatina decisiva para vaga no STF nesta quarta
Jorge Messias durante evento oficial. Foto: Logo CNN Política

Jorge Messias enfrenta sabatina na CCJ do Senado após cinco meses da indicação para vaga no STF, com votação prevista para esta quarta-feira.

Processo decisivo de sabatina de Jorge Messias na CCJ do Senado

Jorge Messias sabatina Senado nesta quarta-feira (29) após cinco meses da indicação ao STF. O advogado-geral da União passou por um longo período de articulação política para conquistar votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa fundamental para sua aprovação. O nome de Messias será avaliado primeiramente pelos senadores da CCJ, que exigem ao menos 14 votos favoráveis para encaminhá-lo ao plenário, onde é necessária maioria de 41 dos 81 senadores para confirmação. A expectativa do governo é que a votação ocorra no mesmo dia da sabatina, acelerando o processo para que ele assuma a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Contexto político e tensões entre Planalto e Senado na indicação

Desde o anúncio da indicação em 20 de novembro de 2025, o percurso de Jorge Messias no Senado foi permeado por tensões institucionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não formalizou imediatamente a indicação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, gerando desconforto e desgastes políticos. A quebra da tradição de comunicação direta irritou Alcolumbre, que esperava outro nome para ocupar a vaga. Essa situação dificultou o processo de obtenção de votos e atrasou a formalização, que só ocorreu em 1º de abril, mais de quatro meses após o anúncio. Recentemente, o contato informal entre Messias e Alcolumbre, ocorrido na residência de um ministro do STF, amenizou a situação e deu sinais de condução equilibrada do processo.

Estratégias e apoio político para garantir a aprovação de Messias

O governo federal tem concentrado esforços para garantir a aprovação de Jorge Messias, especialmente buscando votos entre os integrantes do Centrão, grupo político estratégico no Senado. O líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner, manifesta confiança na vitória com uma estimativa de placar favorável tanto na CCJ quanto no plenário. Messias conta ainda com o apoio de setores evangélicos, sendo ele um representante da Igreja Batista no primeiro escalão do governo, o que reforça sua interlocução política. A indicação também recebeu incentivo do ministro André Mendonça, que já manifestou intenção de atuação conjunta no STF caso Messias seja aprovado.

Perfil e expectativa de atuação de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal

Durante a sabatina, a expectativa é que Jorge Messias adote uma postura conciliadora e técnica, apresentando-se como um ponto de equilíbrio entre os poderes Legislativo e Judiciário. O relator da indicação na CCJ, senador Weverton Rocha, antecipa uma sabatina rigorosa, mas com margem para aprovação. O líder do governo Jaques Wagner destaca que a avaliação na CCJ tem caráter de verificação do perfil, não de rejeição. Messias é visto como um nome sereno, preparado e sem animosidades políticas, características que pesam positivamente em sua análise pelos senadores.

Histórico de sabatinas prolongadas e desafios no Senado

O processo de sabatina para indicação ao STF tem se tornado cada vez mais detalhado e longo. As duas últimas indicações do presidente Lula ao Supremo duraram horas no colegiado da CCJ, com Cristiano Zanin sendo sabatinado por 7h30 e Flávio Dino por mais de 10 horas. A sabatina mais longa registrada foi do ministro Edson Fachin, que se estendeu por quase 12 horas, envolvendo questionamentos sobre sua atuação anterior. Jorge Messias pode enfrentar um processo semelhante, exigindo preparo e resistência para responder a questionamentos aprofundados. O resultado da votação será um importante indicativo da relação atual entre o Planalto e o Congresso, já que o Senado não rejeita um nome ao STF desde 1894.