Australiana amplia investimentos em terras raras no Brasil após entrada americana

A Viridis Mining intensifica projetos em Minas Gerais enquanto o Brasil ganha destaque na disputa global por minerais estratégicos com a aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth

Australiana amplia investimentos em terras raras no Brasil após entrada americana
Mineração a céu aberto na China Foto: Qilai Shen/Getty Images — Foto: Mineração a céu aberto na China (Qilai Shen/Getty Images)

A corrida por terras raras no Brasil acelera com investimentos americanos e australianos, posicionando o país como peça-chave na cadeia global de minerais estratégicos.

O impulso da corrida por terras raras no Brasil com a entrada americana

A corrida por terras raras no Brasil ganhou novo fôlego com a aquisição da Serra Verde, em Goiás, pela mineradora americana USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões. Essa movimentação sinaliza um reposicionamento global, destacando o Brasil como um ator relevante na cadeia de minerais estratégicos. A Viridis Mining and Minerals, empresa australiana com projetos em Minas Gerais, é um dos principais nomes a intensificar investimentos no país diante desse cenário.

A relevância das terras raras para a transição energética

As terras raras são essenciais para a fabricação de tecnologias de energia limpa, como veículos elétricos e turbinas eólicas. Elementos como neodímio e praseodímio, encontrados na mina Pela Ema operada pela Serra Verde, são fundamentais para produzir ímãs permanentes utilizados nessas tecnologias. O aumento da demanda global por esses minerais impulsiona a disputa internacional, com o Brasil emergindo como uma alternativa importante fora da Ásia.

Desenvolvimento e desafios da exploração comercial no Brasil

Embora o Brasil detenha grandes reservas de terras raras, a exploração comercial ainda está em fase inicial, com a Serra Verde sendo o único projeto em operação em larga escala. Empresas como a Viridis focam no desenvolvimento de depósitos capazes de produzir terras raras pesadas, que têm maior valor no mercado. Um dos principais desafios no país é a industrialização da cadeia produtiva, que envolve processos complexos dominados pela China.

Estratégias internacionais para reduzir dependência da China

A entrada da USA Rare Earth no Brasil faz parte de uma estratégia maior dos Estados Unidos para diversificar fornecedores e mitigar riscos geopolíticos relacionados à dependência da China no processamento de minerais críticos. O desenvolvimento da cadeia de processamento fora da Ásia inclui potenciais investimentos industriais que podem beneficiar o Brasil na agregação de valor ao setor.

Perspectivas para o setor de terras raras no Brasil e o papel da Austrália

A combinação de investimentos americanos e australianos indica que o Brasil está no centro de uma disputa internacional por minerais estratégicos. A expectativa do mercado é de crescimento das parcerias e fusões, com a Viridis entre as protagonistas. Para o país, o desafio será transformar esse interesse estrangeiro em desenvolvimento sustentável, ampliando sua participação nas etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva e evitando a dependência da exportação de matérias-primas com baixo valor agregado.