Luta das benzedeiras do Paraná ganha legado com Ana Maria dos Santos

Ana Maria dos Santos foi fundamental na defesa dos saberes tradicionais e direitos das benzedeiras no Paraná

Luta das benzedeiras do Paraná ganha legado com Ana Maria dos Santos
Ana Maria dos Santos, benzedeira e referência no Paraná. Foto: Douglas Fróis, disponível no livro Cantigas de Fé e Festa

Benzedeiras do Paraná lamentam perda de Ana Maria dos Santos, líder na proteção dos saberes ancestrais e direitos das comunidades tradicionais.

O impacto da luta das benzedeiras do Paraná e o legado de Ana Maria dos Santos

A benzedeira Ana Maria dos Santos, referência entre as benzedeiras do Paraná, faleceu nesta quinta-feira (30), deixando um legado sólido na defesa dos saberes tradicionais e dos direitos das comunidades tradicionais. Natural de Rebouças, Ana Maria foi uma voz ativa no Movimento Aprendizes da Sabedoria (MASA) e no Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais (CEPCT), onde atuava desde 2013. Sua dedicação à preservação cultural e à proteção dos territórios sagrados marcou profundamente a luta por reconhecimento e respeito às práticas ancestrais.

A trajetória de Ana Maria na valorização dos saberes ancestrais e das plantas medicinais

Desde a infância, Ana Maria dos Santos aprendeu o ofício de benzer com seu pai na comunidade de Rio Bonito, experiência que a conduziu a uma vida dedicada à manutenção das tradições dos povos tradicionais. Sua participação no Mapeamento Social das Benzedeiras de Rebouças foi fundamental para a aprovação da Lei Municipal 1.401/2010, pioneira no Brasil ao reconhecer a identidade étnica das benzedeiras e regulamentar o livre acesso às plantas medicinais, garantindo proteção legal e valorização cultural.

O papel do Movimento Aprendizes da Sabedoria e do CEPCT na defesa das benzedeiras

Como fundadora do MASA e integrante do CEPCT, Ana Maria contribuiu decisivamente para a articulação entre comunidades tradicionais, assegurando que as reivindicações por direitos e territórios fossem escutadas em instâncias públicas. A presidente do CEPCT, Laysmara Carneiro Edoardo, ressaltou que a continuidade das demandas, como o tombamento das igrejinhas em Rebouças e Irati e a criação de um portal que reconheça a região como território das benzedeiras, é uma homenagem viva à luta de Ana Maria.

Reconhecimento e homenagens à benzedeira Ana Maria dos Santos

A morte de Ana Maria provocou comoção entre movimentos sociais e autoridades que destacaram sua importância na luta pelos direitos das benzedeiras e dos povos tradicionais do Paraná. Entidades como a organização Terra de Direitos e representantes políticos destacaram seu legado de cuidado, acolhimento e resistência, ressaltando a importância da memória e da cultura que ela ajudou a preservar.

A importância da preservação dos saberes tradicionais para a cultura paranaense

A história de Ana Maria dos Santos evidencia a relevância social e cultural dos saberes das benzedeiras, que vão além do simples ato de benzer, englobando práticas de cura, orações e a manutenção da relação com a natureza e os territórios ancestrais. O reconhecimento legal e a luta por políticas públicas específicas para essas comunidades contribuem para a diversidade cultural e para o fortalecimento da identidade do Paraná.

A morte de Ana Maria dos Santos, após participar ativamente da reunião do CEPCT em Curitiba e de um encontro em Brasília, simboliza o compromisso até o fim da vida com a causa das benzedeiras do Paraná e dos povos tradicionais. Seu legado permanece como inspiração para as futuras gerações na defesa dos direitos, da cultura e da justiça social.