Economia da China enfrenta desafios da guerra no Irã e busca oportunidades futuras

Conflito no Oriente Médio impacta exportações e energia chinesas, mas país tem estratégias para mitigar efeitos e potencial de crescimento renovável

Economia da China enfrenta desafios da guerra no Irã e busca oportunidades futuras
Petroleiro atracado em terminal na ilha de Waidiao, Zhoushan, China. Foto: China Daily via REUTERS

A economia da China sofre com os efeitos da guerra no Irã, que impacta exportações e energia, mas o país pode se beneficiar no longo prazo.

Impactos da guerra no Irã sobre a economia da China em 2026

A economia da China enfrenta desafios significativos em 2026 devido à guerra no Irã, que tem pressionado a demanda global e afetado o crescimento baseado em exportações. Segundo especialistas do China Power Project, parceiro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o conflito altera profundamente o cenário econômico, com riscos e oportunidades para o país.

Queda da demanda global e consequências para exportações chinesas

A guerra no Irã prejudica várias economias, incluindo importantes mercados para a China como Índia, Malásia, Tailândia e Emirados Árabes Unidos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento das importações globais, afetando diretamente a capacidade exportadora chinesa, que em 2025 teve quase um terço do seu PIB impulsionado por exportações líquidas, recorde desde 1997. Essa retração pode comprometer a meta de crescimento da China, já reduzida para entre 4,5% e 5%.

Segurança energética e estratégias de mitigação da China

Diante da instabilidade, a China demonstra maior resiliência que seus vizinhos devido a reservas estratégicas de petróleo, diversificação das fontes de energia e o avanço na adoção de veículos elétricos. Com cerca de 36% do petróleo importado passando pelo Estreito de Ormuz, a China sofre impactos, mas suas reservas de 1,4 bilhão de barris garantem cobertura para quatro meses da demanda. A diversificação para gás natural e fontes renováveis também fortalece sua posição energética.

Adoção crescente de energias renováveis e vantagens competitivas

A China lidera globalmente na instalação de energias solar e eólica, respondendo por quase metade da capacidade mundial em 2024. Além disso, a energia nuclear está em rápida expansão, projetada para atender 10% da eletricidade do país em 2035. Essa transição energética cria potencial para custos industriais mais competitivos em relação a outros países do leste asiático, especialmente em setores intensivos em energia, como o manufatureiro.

Riscos e desafios para investimentos chineses no Oriente Médio

O conflito na região ameaça bilhões em investimentos chineses, com infraestrutura e contratos de construção vulneráveis a ataques, como o ocorrido no Porto Mubarak Al-Kabeer no Kuwait. A China é um dos maiores investidores estrangeiros no Golfo, respondendo por 17% do investimento direto estrangeiro, com foco em energia e tecnologia. A instabilidade pode frear novos investimentos e exigir estratégias de adaptação.

Perspectivas para a manufatura e o mercado interno chinês

Os choques de preços de energia e insumos pressionam o setor industrial chinês, afetando lucros e reduzindo a demanda doméstica. No entanto, a maior eficiência energética e o suporte estatal no controle de preços ajudam a manter a competitividade. Apesar dos desafios imediatos, a estrutura robusta da manufatura chinesa pode superar adversidades e manter seu papel global.

Estratégias governamentais para conter impactos econômicos

O governo chinês adotou medidas para controlar os preços internos de energia, subsidiando custos e reduzindo preços de combustíveis, mesmo diante de alta internacional. Essas ações buscam limitar os efeitos da crise energética e proteger a indústria e os consumidores, contribuindo para a estabilidade econômica perante o cenário externo incerto.

Oportunidades no médio e longo prazo para a economia chinesa

Embora o conflito represente dificuldades atuais, a China está posicionada para colher benefícios futuros, principalmente pelo fortalecimento nas energias renováveis e pela capacidade de manter produção competitiva. A demanda global por tecnologias limpas e a adoção acelerada de veículos elétricos podem impulsionar setores estratégicos, reforçando a resiliência e a transformação econômica do país.