Estudo da UnB e UFRJ aponta que gratuidade no transporte público nas capitais brasileiras geraria impacto econômico semelhante ao Bolsa Família

A tarifa zero no transporte público nas 27 capitais brasileiras pode injetar R$ 60,3 bilhões anuais e combater desigualdades sociais, revela estudo.
Impactos econômicos da tarifa zero no transporte público nas capitais brasileiras
O estudo “A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda”, divulgado em 5 de fevereiro de 2026, apresenta uma análise detalhada sobre a implementação da tarifa zero no transporte público das 27 capitais brasileiras. A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revela que essa medida poderia representar uma injeção anual de R$ 60,3 bilhões na economia do país. Descontadas as isenções já existentes, o impacto real seria de R$ 45,6 bilhões, o que equivaleria a um aumento significativo na liquidez das famílias brasileiras e, consequentemente, no consumo e arrecadação de impostos.
Papel da tarifa zero na redução das desigualdades sociais e raciais
A tarifa zero no transporte público não seria apenas uma medida econômica, mas também uma política social capaz de combater desigualdades históricas. Segundo o professor Thiago Trindade, coordenador do estudo, essa iniciativa funcionaria como um “salário indireto”, beneficiando principalmente as camadas vulneráveis da população, como pessoas negras e moradores de periferias urbanas. O estudo destaca que a gratuidade do transporte poderia ser reconhecida como um direito social fundamental, nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública, promovendo maior inclusão e aprofundamento democrático.
Propostas de financiamento para a implementação da tarifa zero
Considerando a viabilidade financeira, o grupo de pesquisadores apontou possíveis fontes de financiamento para a política nacional de transporte gratuito. Uma das propostas é a substituição do atual sistema de vale-transporte por um novo modelo de financiamento, que envolveria contribuições de empresas privadas e públicas com pelo menos dez funcionários. A estimativa é que aproximadamente 81,5% dos estabelecimentos estariam isentos dessa contribuição, o que indicaria que a medida não representaria um ônus significativo para o orçamento da União.
Potencial impacto comparativo com o Bolsa Família
O estudo ressalta que a tarifa zero no transporte público poderia ter um impacto social e econômico similar ao do Programa Bolsa Família, lançado há duas décadas. Enquanto o Bolsa Família representou um marco na redução da pobreza e na promoção da cidadania, a tarifa zero tem o potencial de ser uma política transformadora ao garantir maior acesso e mobilidade para os grupos menos favorecidos, além de estimular a economia pela ampliação da renda disponível.
Desafios e perspectivas para adoção da tarifa zero nas capitais brasileiras
Apesar dos benefícios destacados, a implementação da tarifa zero enfrenta desafios relacionados à estrutura atual dos sistemas de transporte e ao modelo de financiamento. A transição para um sistema gratuito demanda planejamento estratégico e o envolvimento de múltiplos atores, incluindo o setor público e privado. No entanto, conforme destaca o estudo, é possível desenhar uma política que não onere o orçamento público e que reforce o protagonismo do Brasil na vanguarda das políticas públicas inovadoras em redução de desigualdades sociais.






