Produtores do Centro-Norte apostam no sorgo para driblar riscos climáticos e financeiros na temporada 2025/26

Sorgo na segunda safra cresce em produção e importância, oferecendo menor custo e maior resistência a riscos climáticos.
Avanço do sorgo na segunda safra no Centro-Norte do Brasil
O sorgo na segunda safra tem ganhado destaque na análise de especialistas do agronegócio para a temporada 2025/26. A produção nacional deve atingir cerca de 7,56 milhões de toneladas, ultrapassando pela primeira vez a marca de 7 milhões. Antonio Prado G. B. Neto, consultor do setor, identifica um novo ciclo de expansão da cultura no Centro-Norte brasileiro, especialmente em estados como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O crescimento anual composto de aproximadamente 20% mostra o potencial e a importância crescente do sorgo na matriz agrícola regional.
Fatores que impulsionam a expansão do sorgo na segunda safra
Entre os principais fatores que sustentam o avanço do sorgo na segunda safra estão o menor custo de produção comparado ao milho, maior resistência a períodos de seca e adaptação a ambientes com elevado risco climático. Também contribuem para essa tendência a crescente demanda pela matéria-prima para ração animal, o avanço do etanol de cereais e a evolução das sementes por meio de melhoramento genético. A segurança operacional, em um cenário de juros altos, crédito restrito e preços elevados de fertilizantes nitrogenados, torna o sorgo uma opção mais atrativa para o produtor.
Impactos dos custos de insumos e cenário global na escolha do sorgo
Com o petróleo em patamar elevado e conflitos geopolíticos, os preços da ureia e da amônia, utilizados como fertilizantes nitrogenados, sofrem pressão, o que reduz as margens de lucro do milho na segunda safra para 2027. Diante deste contexto, produtores começam a reavaliar o risco financeiro associado ao milho, optando pelo sorgo, que exige menor investimento e oferece maior resiliência ao estresse hídrico. Essa decisão reflete a busca por alternativas que minimizem perdas e garantam maior estabilidade econômica.
Crescimento do etanol de cereais e uso industrial do sorgo
O sorgo deixa de ser apenas uma cultura alternativa para ganhar protagonismo com a expansão do etanol de cereais no Brasil. Além da demanda por alimentação animal, a indústria passa a valorizar o sorgo pela sua versatilidade e potencial energético. Espera-se aumento da área cultivada especialmente no Centro-Oeste e no Matopiba, com maior participação na segunda safra. Embora o milho continue relevante, áreas de maior risco climático tendem a migrar para o sorgo, reforçando sua importância estratégica.
Regiões com maior produção e perspectivas para a safra 2025/26
Goiás se destaca como líder nacional, respondendo por quase 30% da produção de sorgo na segunda safra. Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins também apresentam crescimento expressivo. A diversificação do cultivo contribui para a mitigação dos riscos climáticos e financeiros enfrentados pelos produtores, além de impulsionar o desenvolvimento regional. A expectativa é que essa tendência de expansão do sorgo continue nos próximos anos, consolidando sua posição no agronegócio brasileiro.
O cenário atual indica que o sorgo na segunda safra representa uma estratégia eficaz para produtores que buscam equilibrar custo, risco e retorno financeiro em um ambiente complexo e desafiador.
Fonte: www.agrolink.com.br







