Preço do açúcar recua com avanço da produção brasileira e baixa do petróleo

Mercado internacional registra queda nas cotações do açúcar diante do crescimento da safra no Brasil e enfraquecimento dos preços do petróleo

Preço do açúcar recua com avanço da produção brasileira e baixa do petróleo
Representação gráfica dos preços do açúcar nas bolsas internacionais

Preço do açúcar cai mais de 1% com avanço da produção no Brasil e queda do petróleo em Nova Iorque e Londres.

Contexto atual da queda no preço do açúcar nas bolsas internacionais

O preço do açúcar recua nas principais bolsas mundiais, com destaque para Nova Iorque e Londres, onde as cotações atingiram mínimos recentes nesta quarta-feira (27). O avanço da produção brasileira na safra 2026/27 é apontado como o principal fator para essa queda. Dados oficiais da Unica indicam que a produção na primeira etapa da safra no Centro-Sul do Brasil cresceu 55,3% em abril, totalizando 2,475 milhões de toneladas. Esse aumento foi impulsionado pela maior produtividade da cana, com a sacarose por tonelada subindo 5,4% na comparação anual. O mercado acompanha atentamente o impacto dessa oferta maior sobre o preço do açúcar.

Influência da queda dos preços do petróleo e mercado de etanol

Além da expansão da safra brasileira, a fraqueza dos preços do petróleo bruto, que chegaram à mínima em cinco semanas, exerce pressão negativa sobre o preço do açúcar. Essa queda impacta diretamente o mercado de etanol, alternativa derivada da cana-de-açúcar. A retração do etanol nas bombas torna o açúcar mais competitivo, aumentando a expectativa de maior destinação da matéria-prima para este produto, o que eleva a oferta do açúcar no mercado global. Essa dinâmica altera o equilíbrio entre os dois mercados e contribui para o recuo das cotações do açúcar nas bolsas.

Exportações da Tailândia e seu efeito sobre a oferta global

Outro elemento que pesa sobre o preço do açúcar é o aumento das exportações da Tailândia, segundo maior exportador mundial da commodity. Entre janeiro e abril de 2026, os embarques tailandeses cresceram 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 1,6 milhão de toneladas. Esse crescimento contribui para ampliar a oferta global e reforça a pressão baixista nas cotações internacionais. A combinação do avanço produtivo brasileiro com o aumento das exportações tailandesas gera grande impacto sobre o mercado global do açúcar.

Ritmo forte da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil

O relatório da Unica também indica avanço expressivo na moagem de cana-de-açúcar, com processamento de 40,06 milhões de toneladas na segunda quinzena de abril – um aumento de 123,12% em relação ao ano anterior. No acumulado da safra até 1º de maio, a moagem atingiu 60,46 milhões de toneladas, crescimento de 74,58%. Esse aumento na moagem sustenta o ritmo acelerado da produção e reforça a tendência de maior oferta para os próximos meses, impactando diretamente o preço do açúcar.

Monitoramento dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño

Apesar das pressões baixistas, o mercado permanece atento aos riscos climáticos promovidos pelo fenômeno El Niño, que pode provocar condições adversas como redução da produção agrícola global. A possibilidade de impactos negativos sobre as principais regiões produtoras, incluindo Brasil, Índia e Tailândia, gera incerteza sobre a continuidade da oferta e pode influenciar as cotações futuras do açúcar. O acompanhamento do desenvolvimento desse fenômeno é essencial para a análise estratégica e tomada de decisões no setor sucroenergético.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br