Preços do açúcar caem nas bolsas internacionais influenciados por valorização do dólar e aumento da produção global

O açúcar recuou com o dólar em alta e oferta global maior, pressionando preços nas bolsas internacionais.
Confira a programação do mercado e cotações recentes do açúcar
Bolsa de Nova York (3 de junho): Contrato julho fechou a 14,24 cents por libra-peso, recuo de 14 pontos.
Bolsa de Londres (3 de junho): Contrato agosto do açúcar branco cotado a US$ 444,80 por tonelada, queda de 100 pontos.
Impacto do dólar forte nos preços internacionais do açúcar
O açúcar recua nas bolsas internacionais em 3 de junho, refletindo o fortalecimento do índice do dólar norte-americano, que atingiu seu maior nível em cerca de um mês e meio. Essa valorização reduz a atratividade das commodities cotadas em dólar para compradores de outras moedas e estimula a realização de lucros entre investidores. O dólar forte é um fator-chave que tem influenciado a queda dos preços do açúcar, mesmo após preocupações iniciais relacionadas aos efeitos do El Niño na produção global.
Aumento da oferta global e produção recorde no Brasil
A oferta global ampliada do açúcar exerce pressão adicional sobre os preços. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção do Centro-Sul brasileiro alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, um aumento de 55,3% em comparação ao mesmo período do ciclo anterior. Esse crescimento foi impulsionado pelo maior rendimento agrícola, com teor de sacarose subindo 5,4%, para 112,58 quilos por tonelada de cana. A maior disponibilidade da commodity tem reforçado expectativas de oferta robusta nos próximos meses.
Exportações da Tailândia reforçam pressão de oferta
Outro fator que contribui para a pressão nos preços é o crescimento das exportações da Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações somaram 1,6 milhão de toneladas, aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento evidencia disponibilidade adicional no mercado internacional, ampliando a oferta global e influenciando o comportamento dos preços.
Riscos climáticos do El Niño e impacto nas safras futuras
Apesar do viés de baixa nos preços, os agentes do mercado continuam atentos aos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño. Este pode reduzir significativamente o volume de chuvas em regiões produtoras essenciais como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo o potencial produtivo das próximas safras. Recentemente, o serviço meteorológico da Índia revisou para baixo a previsão de chuvas da monção, de 92% para 90% da média histórica, intensificando as preocupações sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Perspectivas para o mercado de açúcar diante dos fatores globais
O mercado global de açúcar enfrenta um cenário complexo, onde o aumento da oferta e o dólar forte pressionam as cotações para baixo, enquanto os riscos climáticos associados ao El Niño mantêm um grau de incerteza sobre o futuro da produção. Com o Brasil registrando produção recorde e a Tailândia ampliando suas exportações, o equilíbrio entre oferta e demanda está sujeito a oscilações, exigindo monitoramento contínuo dos indicadores climáticos e econômicos para antecipar tendências e orientar decisões dos agentes do setor.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br







