Atividade econômica mostra sinais de desaceleração apesar do avanço no varejo e serviços em maio

Consumo sustenta crescimento moderado, mas juros altos e fim de estímulos fiscais pressionam economia no segundo trimestre

Atividade econômica mostra sinais de desaceleração apesar do avanço no varejo e serviços em maio
Movimentação no varejo em maio reflete avanço moderado na atividade econômica. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Atividade econômica em maio apresenta crescimento no varejo e serviços, mas economia enfrenta desaceleração devido a juros altos e fim dos estímulos.

O desempenho da atividade econômica em maio e seus impactos no cenário atual

A atividade econômica apresentou crescimento em maio de 2026, com destaque para o avanço no varejo e nos serviços prestados às famílias, conforme indicam os dados do Índice Getnet (IGet), elaborados em parceria com o Santander. Essa elevação ocorre em um contexto de juros elevados e redução dos estímulos fiscais, que pressionam o desempenho geral do setor econômico. Gabriel Couto, economista do Santander, ressalta que, embora maio tenha apresentado crescimento nesses segmentos, a tendência para o segundo trimestre aponta uma desaceleração gradual da atividade econômica.

Análise detalhada dos setores de varejo e serviços em maio

No comércio varejista, o índice ampliado cresceu 1,9% em maio, marcando o segundo mês consecutivo de alta. O índice restrito, que exclui veículos e materiais de construção para monitorar o consumo mais cotidiano, registrou uma alta de 1,7%, o primeiro resultado positivo desse indicador em 2026. Entretanto, a comparação anual revela que ambos os índices permanecem em queda: o varejo ampliado recuou 0,7%, e o restrito sofreu uma queda significativa de 6,0%. O crescimento mensal no índice restrito foi impulsionado pelo setor de vestuário, com 12% de avanço, seguido por outros artigos de uso pessoal (4,9%), supermercados (2,0%) e móveis e eletrodomésticos (0,6%). Por outro lado, combustíveis e artigos farmacêuticos apresentaram retração.

Fragilidade e desafios no setor de serviços prestados às famílias

O setor de serviços registrou alta de 0,4% na passagem de abril para maio, marcando o terceiro crescimento mensal consecutivo. Apesar disso, o ritmo de recuperação não foi suficiente para compensar a queda expressiva registrada em fevereiro. A análise anual mostra uma redução de 3,3% nos serviços, indicando fragilidade estrutural. Segmentos específicos como alojamento e alimentação recuaram 0,1%, enquanto outros serviços às famílias tiveram uma retração de 2,3%, revertendo quase todo avanço do mês anterior. Esses resultados refletem a forte influência dos juros altos, que impactam especialmente o consumo de serviços.

Influência da política monetária e estímulos fiscais na dinâmica econômica

O cenário econômico atual é marcado pela combinação da política monetária restritiva e o esgotamento dos estímulos fiscais, fatores que limitam o potencial de crescimento. Os juros elevados exercem pressão sobre o consumo e o investimento, especialmente no setor de serviços, enquanto os incentivos fiscais, antes capazes de mitigar esses efeitos, perdem força. A resiliência do mercado de trabalho contribui para algum suporte à economia, mas não é suficiente para neutralizar completamente o impacto das políticas contracionistas.

Perspectivas para a atividade econômica no segundo trimestre de 2026

A análise dos indicadores sugere que, apesar do avanço observado em maio, a atividade econômica deve seguir em desaceleração ao longo do segundo trimestre. O ambiente de juros altos e a redução dos estímulos fiscais criam um desafio para a retomada mais robusta do consumo e dos serviços. Esse cenário aponta para uma recuperação gradual e heterogênea, com setores respondendo de formas distintas às condições econômicas vigentes. A continuidade dessa tendência dependerá da evolução das políticas econômicas e da capacidade de adaptação dos agentes econômicos.