Argentina avança rumo à reclassificação no MSCI com desafios persistentes

Progresso econômico e flexibilização de restrições aproximam Argentina do status de mercado emergente, mas incertezas políticas adiam promoção

Argentina avança rumo à reclassificação no MSCI com desafios persistentes
Vista da Casa Rosada, sede do governo argentino Foto: Divulgação/Casa Rosada

Argentina se aproxima da reclassificação no MSCI, com avanços em flexibilização de restrições, porém eleições e limitações ainda impedem promoção imediata.

Contexto atual da reclassificação no MSCI e o avanço da Argentina

A reclassificação no MSCI é um processo que pode reposicionar a Argentina como mercado emergente, impactando diretamente a atração de investimentos estrangeiros. Às vésperas da revisão marcada para 24 de junho de 2026, o país apresenta fundamentos mais sólidos e melhor acesso ao mercado do que há um ano, segundo avaliação do Itaú BBA. Apesar do avanço, o banco destaca que restrições ainda vigentes e a proximidade das eleições presidenciais de 2027 geram incertezas relevantes que impedem uma promoção imediata.

Principais avanços e medidas econômicas recentes da Argentina

Entre os progressos que aumentam as chances de reclassificação no MSCI, destaca-se a eliminação do prazo mínimo de permanência de 180 dias para investidores estrangeiros a partir de junho de 2025. Além disso, a autorização para distribuição de dividendos vinculados a lucros gerados a partir do exercício de 2025 e a implementação do sistema Delivery versus Payment (DVP) pela BYMA Clearing em abril de 2026 são considerados passos importantes para adequação aos critérios internacionais.

Restrições ainda vigentes e seus impactos na avaliação do MSCI

Apesar dos avanços, ainda persistem restrições significativas. Dividendos acumulados antes de 2025 continuam sujeitos a limitações para remessa ao exterior, restringindo a liquidez para investidores internacionais. O acesso das empresas ao mercado oficial de câmbio para posições antigas permanece limitado, o que restringe a plena integração do mercado local com o internacional. Essas barreiras são fatores que o MSCI considera ao avaliar a possibilidade de uma reclassificação irreversível.

Influência das eleições presidenciais de 2027 na perspectiva econômica

A proximidade das eleições presidenciais de 2027 gera dúvidas sobre a continuidade das políticas econômicas que favorecem o ambiente de mercado. O MSCI prioriza a estabilidade e previsibilidade para realizar alterações permanentes em suas classificações. Por isso, a incerteza política é um fator que contribui para o adiamento da promoção efetiva da Argentina para mercado emergente, apesar dos avanços técnicos já alcançados.

Melhora da posição externa e expectativas para o futuro econômico

A Argentina tem mostrado evolução significativa na sua posição externa. O Banco Central acumulou mais de US$ 10 bilhões em compras líquidas de reservas em 2024, alcançando a meta anual em apenas cinco meses. A forte safra agrícola, a alta dos preços internacionais do petróleo e emissões de dívida corporativa no exterior contribuíram para esse resultado. A expectativa é que, com o restabelecimento do acesso aos mercados internacionais, o Tesouro argentino possa refinanciar seus vencimentos de dívida em substituição ao uso das reservas, fortalecendo sua posição de crédito no longo prazo.

Perspectivas para o mercado financeiro e próximos passos

De acordo com o Itaú BBA, as ações argentinas devem continuar acompanhando a evolução dos spreads da dívida soberana, que refletem a confiança dos investidores nas políticas econômicas do governo. Embora o financiamento doméstico e por organismos multilaterais predomine em 2026, recuperar o acesso aos mercados internacionais será estratégico, particularmente antes das eleições de 2027. A reclassificação no MSCI, caso ocorra, deve ser um passo gradual, com revisão neste ano e possível promoção em 2027, condicionada à manutenção das reformas e estabilidade política.