Durigan avalia ação no STF contra refinanciamento de dívida rural

Ministro da Fazenda pondera custo bilionário e anuncia possível veto após aprovação de pauta do Senado

Durigan avalia ação no STF contra refinanciamento de dívida rural
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em reunião com Ministro do STF Luiz Fux. Foto: METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Governo federal considera recorrer ao STF após aprovação de projeto que usa recursos do pré-sal para refinanciamento de dívida rural.

Governo federal avalia ação no STF após aprovação do refinanciamento de dívida rural

O refinanciamento de dívida rural ganhou destaque em 10 de junho de 2026, quando o Projeto de Lei nº 5.122/2023 foi aprovado no Senado. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tornou público que o governo federal está considerando acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a chamada pauta-bomba, devido ao impacto bilionário que o refinanciamento de dívida rural causaria ao Tesouro Nacional. Durigan ressaltou que, apesar de seu apoio ao auxílio aos produtores rurais, o custo estimado para o governo é elevado, estimando um gasto de cerca de R$ 140 bilhões nos próximos anos. O ministro indicou que o texto final será analisado para possíveis vetos ou contestação judicial.

Aspectos financeiros e impacto orçamentário da pauta-bomba do Senado

A pauta aprovada pelo Senado, que permite o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para o refinanciamento de dívidas rurais, representa um gasto expressivo para o governo. Conforme explicou Dario Durigan, o projeto abrange uma operação estimada em R$ 200 bilhões, dos quais 70% seriam custeados pelo Tesouro. Esse valor, considerado alto pelo Ministério da Fazenda, gerou preocupação sobre a sustentabilidade fiscal. A medida busca atingir produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos e conflitos internacionais, mas a abrangência e o valor total da operação causam divergências entre governo e legislativo.

Negociações entre governo, senadores e governadores na elaboração do projeto

Antes da votação, representantes do governo federal, entre eles o ministro Durigan, encontraram-se com senadores Renan Calheiros e Tereza Cristina, além do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para discutir os detalhes do projeto. Apesar das reuniões e tentativas de consenso, as negociações não avançaram para um acordo final. O relator do PL, Renan Calheiros, e Durigan mantiveram contatos frequentes, porém divergências sobre o escopo e custo da medida permaneceram. A participação do governador Eduardo Leite reforça a pressão regional para garantir apoio aos produtores rurais afetados por perdas recentes.

Critérios e condições para o uso dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal

O projeto aprovado estabelece que os recursos destinados ao refinanciamento serão oriundos do superávit da exploração do pré-sal entre 2025 e 2026, além de receitas previstas para os anos seguintes. A linha especial de financiamento contempla dívidas contratadas até 31 de dezembro de 2025, desde que renegociadas até 30 de abril de 2026, ou parcelas com vencimento entre 2024 e 2027 em situação de inadimplência até abril de 2026. Produtores rurais e cooperativas que sofreram perdas em pelo menos duas safras, entre 2019 e 2025, com impacto de 30% ou mais na renda bruta, são os beneficiados pela medida, conforme detalhamento do texto.

Desafios para a implementação e possíveis repercussões econômicas

A aprovação da medida traz desafios práticos e financeiros para o governo federal, que precisa conciliar a necessidade de amparo aos produtores rurais com a responsabilidade fiscal. O elevado custo estimado pode pressionar o orçamento público e gerar debates sobre prioridades de gasto. A possibilidade de veto ou recurso ao STF indica a complexidade política e jurídica do tema. O impacto para cooperativas e produtores afetados por questões climáticas e geopolíticas também será uma variável a ser monitorada, especialmente no contexto da segurança alimentar e da economia rural brasileira.