Keiko Fujimori lidera apuração apertada contra Roberto Sánchez no Peru

Eleição presidencial do Peru registra virada de Keiko Fujimori após 98% das urnas apuradas, em disputa marcada por instabilidade política

Keiko Fujimori lidera apuração apertada contra Roberto Sánchez no Peru
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez durante debate em Lima antes do segundo turno das eleições presidenciais. Foto: 31.mai.26 – Os candidatos presidenciais do Peru, Roberto Sanchez, do partido Juntos por el Peru (à esq.), e Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, durante d

Keiko Fujimori lidera apuração das eleições presidenciais no Peru com vantagem mínima sobre Roberto Sánchez após 98% das urnas processadas.

Keiko Fujimori lidera apuração apertada das eleições presidenciais do Peru

Keiko Fujimori lidera apuração das eleições presidenciais do Peru, conforme dados divulgados na madrugada com 98% das urnas apuradas. A candidata conservadora do partido Força Popular detém 50,002% dos votos válidos, superando Roberto Sánchez, deputado de esquerda da coalizão Juntos pelo Peru, que conta com 49,998%, uma diferença mínima de 651 votos. A virada aconteceu por volta da 1h (horário de Brasília), mostrando a polarização extrema entre os candidatos.

Contexto político e histórico da instabilidade no Peru

O resultado da apuração reflete a continuidade da instabilidade política que assola o Peru há mais de uma década. Desde 2016, o país viu uma sucessão de nove presidentes em dez anos, com renúncias, prisões e impeachments que minaram a governabilidade e a confiança nas instituições. O período começou após o mandato do presidente Ollanta Humala, cujo baixo índice de popularidade incentivou a crescente influência do Parlamento, que frequentemente utilizou o impeachment como ferramenta política. Keiko Fujimori, que já disputou e perdeu por margens estreitas em 2016 e 2021, aparece novamente como protagonista nesse cenário conturbado.

Fragilidade dos partidos políticos e seus impactos na governabilidade

Segundo o cientista político Steven Levitsky, o Peru é caracterizado como uma “democracia sem partidos”, onde agremiações funcionam mais como veículos eleitorais temporários do que como instituições partidárias sólidas e ideologicamente definidas. Essa fragmentação dificulta a formação de coalizões estáveis no Congresso, isolando os presidentes eleitos. Como consequência, o governante eleito enfrenta dificuldades para aprovar políticas e está sujeito a pressões e bloqueios constantes da oposição, o que perpetua a crise política.

Desafios no Congresso peruano e influência do retorno do Senado

O Congresso peruano, que atualmente possui uma Câmara com 130 cadeiras, terá sua dinâmica alterada com o retorno do Senado previsto para julho, ampliando o Legislativo para duas Casas. Essa mudança pode tanto reforçar o peso do Parlamento como ampliar o poder de bloqueio às decisões do Executivo. Nas últimas eleições, o partido de Keiko Fujimori, Força Popular, conquistou a maior bancada nas duas Casas, com 41 cadeiras na Câmara e 22 no Senado, enquanto Juntos pelo Peru, de Roberto Sánchez, obteve 32 e 14, respectivamente. Esse equilíbrio frágil anuncia uma governabilidade complexa.

Perspectivas e reações diante da disputa apertada

Os candidatos mantêm cautela diante da estreita diferença na apuração. Keiko Fujimori alertou para a continuidade de “dias longos pela frente”, enquanto Roberto Sánchez afirmou que o cenário permanece um “empate técnico” e que tudo ainda está em aberto. A população demonstra cansaço diante do prolongado caos político e expressa desejo por transparência e respeito ao voto. Analistas apontam que um resultado tão apertado pode intensificar a instabilidade, uma vez que o forte antifujimorismo e o desconhecimento sobre Sánchez tornam a aceitação do resultado difícil para parte do eleitorado.

Implicações internacionais e desafios futuros para o novo presidente

Roberto Sánchez, apesar de enfrentar acusações judiciais que ele alega serem politicamente motivadas, sinalizou a intenção de manter uma relação respeitosa com os Estados Unidos, ressaltando a importância da boa vizinhança e do equilíbrio entre as nações. O presidente que assumir terá o desafio de governar em meio a um Congresso fragmentado e fortalecido, além de enfrentar a difícil missão de restabelecer a confiança na democracia peruana e estabilizar as instituições após anos de crises consecutivas.