Taxas dos DIs recuam mais de 40 pontos-base após Trump cancelar ataques ao Irã e indicar acordo

Recuo nas taxas dos Depósitos Interfinanceiros acompanha queda nos rendimentos dos Treasuries após anúncio de Donald Trump sobre o Irã

Taxas dos DIs recuam mais de 40 pontos-base após Trump cancelar ataques ao Irã e indicar acordo
Gráfico ilustrativo das taxas de juros no mercado financeiro

As taxas dos DIs caíram mais de 40 pontos-base após Trump cancelar ataques ao Irã e mencionar acordo iminente, influenciando o mercado financeiro.

Contexto da queda das taxas dos DIs após anúncio de Donald Trump

As taxas dos DIs, sigla para Depósitos Interfinanceiros, recuaram mais de 40 pontos-base em vários prazos na quinta-feira, 11 de junho de 2026. Esse movimento ocorreu logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelar ataques programados contra o Irã e anunciar que um acordo será assinado em breve. Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, observou que, embora houvesse ajustes locais após altas recentes, a principal força do recuo veio do cenário internacional, impulsionada pela notícia do cancelamento dos ataques.

Impacto dos rendimentos dos Treasuries no mercado brasileiro

A retração nas taxas dos DIs acompanhou o recuo firme dos rendimentos dos Treasuries americanos, títulos de referência global para investimentos. Após o anúncio de Trump, o rendimento do Treasury de dez anos caiu nove pontos-base, situando-se em 4,449%. Esse movimento global de queda nos juros influencia diretamente a curva local, especialmente nos vencimentos mais longos, como os DIs para janeiro de 2028 e 2035, que também apresentaram quedas próximas a 40 pontos-base.

Dados econômicos brasileiros e suas implicações para a política monetária

Apesar do ambiente externo favorável momentaneamente, dados internos indicam desafios para o controle da inflação no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou um aumento de 1,2% no volume de serviços em abril comparado a março, superando expectativas. Este resultado robusto, somado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recente, levaram instituições financeiras a elevar suas projeções para a inflação e a taxa Selic, atualmente em 14,50%. A curva a termo reflete a possibilidade de elevação da Selic no segundo semestre para conter pressões inflacionárias.

Expectativas para as próximas decisões do Banco Central e o mercado

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic na próxima reunião, embora parte do mercado aposte em um último corte de 25 pontos-base. O índice oficial de inflação (IPCA) de maio, cuja divulgação está prevista para breve, será decisivo para o rumo da política monetária. Caso os números do IPCA se mostrem desfavoráveis, o Banco Central poderá interromper o ciclo de cortes já na reunião de junho, ajustando a estratégia para controlar a inflação.

Análise do efeito dos anúncios de Trump sobre o mercado de câmbio e bolsas

Além da queda nas taxas dos DIs, o dólar apresentou desvalorização frente ao real, chegando a R$5,10. O Ibovespa também reagiu positivamente, recuperando o patamar de 170 mil pontos. Esses movimentos indicam que o mercado reagiu de forma mais otimista, entrando em um modo de maior apetite ao risco (risk-on) após a redução das tensões geopolíticas entre EUA e Irã.

Neste cenário, o equilíbrio entre fatores externos e internos determinará os próximos passos dos mercados financeiros brasileiros, especialmente no que tange às taxas de juros e à política cambial.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br