Entender a transição energética como processo gradual e ampliar a matriz energética são essenciais para enfrentar os desafios econômicos e ambientais globais

A transição energética é um processo gradual que demanda diversificação da matriz e integração à economia global.
Confira a programação completa da transição energética e suas fases
A transição energética é um processo que envolve diferentes etapas e tecnologias em prazos distintos. Segundo Paula Kovarsky, sócia da Legend Capital, e Clarissa Lins, fundadora da Catavento Consultoria, é fundamental compreender o que está disponível hoje, o que será viável em 5 a 10 anos e o que se enquadra em um horizonte de 20 a 30 anos. Essa visão por fases permite planejar investimentos e inovações de forma eficiente.
Curto prazo: tecnologias prontas para implantação imediata, como energia solar e eólica em expansão.
Médio prazo (5-10 anos): aprimoramento de armazenamento de energia e expansão da mobilidade elétrica.
- Longo prazo (20-30 anos): desenvolvimento de soluções disruptivas que ainda demandam avanços tecnológicos.
Diversificação da matriz energética como estratégia para resiliência
A transição energética não significa simplesmente substituir fontes fósseis por renováveis, mas sim ampliar o portfólio energético. Clarissa Lins enfatiza que “ter uma matriz energética diversificada, com soluções diferentes e atributos distintos, é melhor do que ter menos opções”. Essa multiplicidade permite que fontes diferentes coexistam e se complementem, aumentando a confiabilidade e a segurança energética em um cenário global incerto.
Impactos climáticos impulsionam mudanças nas decisões econômicas
Os eventos climáticos extremos têm transformado a percepção de risco do mercado, levando a uma integração mais forte da agenda ESG nas decisões de investimento. Paula Kovarsky destaca que “fenômenos climáticos afetando o dia a dia, safra falhando, preço de energia subindo” fizeram do tema algo tangível e urgente. Assim, a transição energética passa a ser uma prioridade estratégica para negócios e governos.
Barreiras e oportunidades no setor industrial e na segurança energética
Enquanto setores como geração elétrica e mobilidade avançam rapidamente, indústrias intensivas em energia ainda enfrentam desafios técnicos e econômicos. A segurança energética ganhou relevância geopolítica, podendo acelerar a transição. Paula Kovarsky afirma que “segurança energética passando por renováveis pode ganhar uma importância muito maior do que a própria descarbonização”. Ter opções energéticas domésticas e de baixo carbono aumenta a atração de investimentos.
O papel do Brasil na transição energética global
O Brasil, com sua matriz energética relativamente limpa e grande potencial, ainda luta contra entraves estruturais que limitam sua prontidão. Paula Kovarsky observa que “existe dinheiro, o que falta é preparar projetos para serem investíveis”. Clarissa Lins posiciona o país no meio do caminho entre os líderes e os atrasados, destacando a necessidade de melhorar regulação, coordenação e previsibilidade.
Contabilidade de carbono como base para incentivar descarbonização
Um dos conceitos-chave para avançar é a contabilidade de carbono, que permite medir, precificar e negociar emissões, criando incentivos econômicos claros. Paula Kovarsky afirma que “o carbono é a moeda da transição energética, e toda moeda precisa de um sistema contábil”. Este mecanismo é essencial para alinhar interesses econômicos e ambientais a longo prazo.
Desafios e perspectivas da transição energética no cenário global
A transição energética é inevitável, mas marcada por ciclos de avanços e ajustes. Movimentos excessivamente acelerados ou retrocessos podem comprometer o processo. O equilíbrio entre tecnologia, custos, prazos e contexto geopolítico é fundamental para o sucesso. O debate público deve reconhecer a complexidade e a necessidade de planejamento cuidadoso para garantir uma transformação sustentável e eficaz.





