Pesquisa XP mostra reversão estratégica em multimercados: 80% compram dólar e 84% apostam queda de 0,25% na Selic

Pesquisa revela pivô de 80% das gestoras para posições compradas em dólar e maioria aposta em redução de juros antes do Copom.
Mudança estratégica em fundos multimercados marca véspera de decisão monetária
Gestoras de fundos multimercados alteraram substancialmente suas posições sobre gestoras multimercados dólar Selic Copom junho 2026 nos últimos dois meses, conforme levantamento divulgado dias antes do anúncio oficial da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária em 17 de junho. O movimento reflete reconfiguração profunda nas apostas sobre câmbio, juros e cenário local.
Reversão radical nas posições de câmbio
O comportamento das instituições financeiras sofreu inversão completa em relação à moeda americana. Em abril, a unanimidade era predominante: 100% das gestoras mantinham posições vendidas em dólar, caracterizando o maior consenso da série histórica. Dois meses depois, a fotografia é completamente distinta.
Atualmente, 80% dos fundos estão comprados em dólar, enquanto apenas 20% continuam apostando na valorização do real. Segundo análise especializada, essa transformação não representa simples mudança de sentimento, mas sinaliza possível alteração no regime de fluxos de capitais globais.
Real como instrumento de proteção financeira
O comportamento frente ao real nacional também inverteu-se radicalmente. As posições compradas recuaram de 91% para 31% em dois meses, enquanto posições vendidas saltaram de 9% para 69%. Essa migração sugere que investidores deixaram de buscar ganhos diretos com valorização cambial para utilizar o câmbio como proteção contra volatilidade.
O contexto global influenciou significativamente essa reposicionamento. Enquanto mercados asiáticos acompanhavam boom de investimentos em inteligência artificial, bolsas brasileiras recuavam relativamente. Cenário doméstico piorou com alta de petróleo, reavivando temores inflacionários e mantendo expectativas de juros elevados.
Juros em foco: maioria aposta em alívio
Quanto à politica monetária, 84% das gestoras apostam em redução de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa para 14,25%. O restante, 16%, espera manutenção da taxa atual em 14,5%. Apesar da aposta majoritária no curto prazo, convicção sobre extensão completa do ciclo de afrouxamento monetário diminui entre os profissionais.
Essa cautela reflete incertezas sobre sustentabilidade do arrocho monetário e impactos de inflação persistente. Pressões sobre preços, incluindo commodities, mantêm gestoras vigilantes quanto ao real tamanho do caminho para normalização de juros.
Fim do “kit Brasil” como narrativa hegemônica
Em abril, ambiente econômico induzia gestoras a aumentar apostas no que especialistas chamam de “kit Brasil”: combinação de recomendação em bolsa brasileira, valorização do real e calibragem de juros compatível com crescimento. Essa narrativa perdeu força em junho.
O “kit Brasil” representava otimismo coordenado com ativos domésticos. Seu desaparecimento como consenso não significa pessimismo absoluto, mas reconhecimento de que dinâmica global alterou equação de risco-retorno para investidores. Tensões de ano eleitoral domesticamente também pesaram na recalibração.
Implicações para próximas movimentações
A volatilidade nas posições de fundos multimercados oferece sinal sobre percepção de profissionais quanto a estabilidade macroeconômica. Reversões tão agudas em dois meses indicam ambiente de incerteza elevada e rápida revisão de cenários.
Para investidores pessoa física e pequenos negócios, essas mudanças em fundos especializados servem como termômetro: gestores profissionais reposicionando-se rapidamente sinaliza que mercado reprecifica riscos e oportunidades continuamente. Decisão monetária iminente do Copom pode consolidar ou questionar parte desses novos posicionamentos.





