Mercado aquecido por déficit de chuvas no segundo maior produtor mundial e retração de 25% na safra do Centro-Sul

Preços do açúcar fecham em alta em bolsas internacionais. Seca na Índia e queda de 25% na produção brasileira sustentam movimento de valorização.
Açúcar avança com pressão climática na Índia e retração na produção brasileira
Os preços internacionais de açúcar fecharam em movimento de alta nesta quarta-feira (17 de junho) nas principais bolsas, sustentados por uma combinação de fatores climáticos e produtivos que reduzem as perspectivas de oferta global da commodity nos próximos meses.
Em Nova Iorque, o contrato para julho avançou 3 pontos, sendo negociado a 13,85 cents por libra-peso. Simultaneamente, em Londres, o contrato agosto do açúcar bruto registrou valorização de 230 pontos, atingindo US$ 452,20 por tonelada. O movimento representa o segundo pregão consecutivo de ganhos para o ativo.
Déficit de chuvas agrava preocupações indianas
O principal fator de sustentação das cotações internacionais provém da Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados oficiais do Departamento Meteorológico revelam que o acumulado de precipitações até 15 de junho ficou 32% abaixo da média histórica.
A temporada de chuvas indiana, que se estende de junho a setembro, é fundamental para o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar. A redução nas precipitações eleva significativamente as preocupações quanto ao potencial produtivo da próxima safra, comprimindo as expectativas de oferta global da commodity.
Analistas monitoram a evolução do regime de chuvas nos próximos meses com atenção redobrada, pois qualquer agravamento nas condições hídricas pode amplificar ainda mais a pressão altista sobre os preços internacionais.
Fenômeno El Niño intensifica cenário de incerteza climática
A confirmação do fenômeno El Niño reforça as preocupações com a produção global. Este evento climático historicamente provoca redução de precipitações em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.
A convergência de fatores climáticos adversos em múltiplas regiões produtoras cria um ambiente de maior volatilidade nos mercados futuros. Traders e operadores refletem essas incertezas nos prêmios de risco embutidos nas cotações.
Apesar da recuperação recente, o mercado permanece atento ao comportamento dos preços do petróleo. Na terça-feira anterior, o açúcar chegou a renovar mínimas de quase dois meses em Nova Iorque, seguindo a forte queda do petróleo bruto, que acumulou perdas superiores a 15% em uma semana.
Competição com etanol reduz estímulo à produção de açúcar
Com combustíveis mais baratos, o etanol perde atratividade econômica nos mercados internacionais. Este cenário pode desestimular usinas produtoras ao redor do mundo a alocarem cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, em vez de álcool combustível.
Menores preços de petróleo tendem a ampliar a oferta global de açúcar, uma vez que produtores preferem flexibilizar sua mix de produção conforme a rentabilidade relativa de cada produto.
Moagem brasileira aprofunda pressão altista
Os números mais recentes divulgados por autoridades brasileiras também contribuem para a sustentação das cotações internacionais. A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do país, alcançou 41,23 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio.
Este volume representa uma queda de 12,9% em comparação com o mesmo período da safra anterior. A produção de açúcar, por sua vez, totalizou 2,19 milhões de toneladas, registrando retração de 24,8% na comparação anual.
Os resultados ficaram abaixo das expectativas de analistas de mercado, amplificando o movimento de suporte aos preços internacionais. A redução acentuada da produção brasileira remove uma importante fonte de oferta global, constrangendo a disponibilidade do produto nos mercados internacionais.
Esta combinação de fatores — seca na Índia, confirmação do El Niño e queda significativa na produção brasileira — consolida um cenário de menor oferta global, fornecendo base técnica para a continuidade da tendência altista nas próximas sessões de negociação.





