Avanço da safra brasileira em maio é sustentado por condições meteorológicas favoráveis nas regiões de arábica e conilon

Colheita de café acelera em maio apoiada por clima favorável. Arábica e conilon registram rendimento dentro da normalidade, sem problemas relevantes.
A colheita de café no Brasil ganhou aceleração durante maio, beneficiando-se de condições meteorológicas equilibradas que criaram um ambiente favorável para as operações em ambas as principais variedades cultivadas no país.
Clima Favorável Sustenta Avanço da Safra
As condições climáticas apresentaram-se como fator determinante para o progresso dos trabalhos no período. Especialistas do setor confirmam que o rendimento mantém-se dentro dos padrões de normalidade, sem registro de problemas significativos que pudessem comprometer o cronograma de colheita. A perspectiva meteorológica para os próximos dias aponta para continuidade desse cenário estável, criando ambiente propício para intensificação das operações nas lavouras.
A ausência de intempéries severas permitiu que os trabalhos prosseguissem de forma contínua e eficiente. Nas áreas onde ocorreram precipitações, estas se mostraram pontuais e insuficientes para causar atrasos generalizados na colheita.
Desempenho das Exportações em Recuperação
Dados de exportação revelam recuperação gradual do setor. Em abril de 2026, o Brasil embarcou cerca de 3,12 milhões de sacas de 60 quilos, indicando crescimento de 0,64% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior e aumento de 1,6% frente aos embarques de março.
No entanto, o primeiro trimestre do ano apresentou resultado contrário, com embarques totalizando 11,6 milhões de sacas, representando queda anual de 16%. Essa oscilação reflete dinâmicas de oferta e demanda do mercado internacional, além de estratégias de retenção de estoques adotadas pelos produtores.
Dinâmica de Preços em Movimento
Os mercados de arábica e conilon apresentaram trajetórias distintas nos últimos meses. Durante abril, ambas as variedades experimentaram leve valorização, com arábica registrando alta de aproximadamente 1,25% enquanto o ambiente permanecia relativamente equilibrado.
Maio trouxe divergência entre os tipos. O arábica recuou 10,9%, movimento associado à expectativa de maior disponibilidade de produto na safra 2026/2027. Já o conilon apresentou queda mais contida, de apenas 0,4%, mantendo relativa estabilidade em seu comportamento. A retenção prolongada de estoques pode exercer pressão adicional sobre os preços futuros, uma vez que o café passa a ser negociado como produto de safra velha à medida que as novas colheitas avançam.
Condições Regionais e Impactos Pontuais
A análise regional revela variações nas precipitações. Em cidades como Guaxupé e Patrocínio, os volumes acumulados em maio ficaram em 21 milímetros e 17,7 milímetros respectivamente, ambos abaixo das médias históricas dos últimos cinco anos. Linhares e Alta Floresta D’Oeste também registraram precipitações inferiores aos padrões históricos.
No Sul de Minas Gerais, episódios isolados de granizo atingiram áreas específicas de Boa Esperança e Campo do Meio. Apesar disso, os impactos permaneceram circunscritos geograficamente, sem comprometer a produção de forma generalizada na região. Essa localização restrita dos danos evidencia a heterogeneidade das condições climáticas entre os diferentes polos produtores.
Perspectivas para Intensificação das Vendas
Com o avanço progressivo da nova safra, projeta-se intensificação gradual das transações comerciais. A liberação escalonada dos estoques deve favorecer o ritmo de vendas, alimentado pela oferta crescente de café colhido. A estratégia de comercialização adotada pelos produtores neste período será crucial para otimizar retornos, considerando as dinâmicas de precificação em vigência no mercado global.
O cenário atual posiciona a safra 2026/2027 como momento crítico para o setor, combinando fatores meteorológicos favoráveis com dinâmicas de mercado que exigem decisões estratégicas tempestivas dos agentes envolvidos na cadeia produtiva de café.




