Ex-patrão de Luís Felipe Egoroff relata desprezo por protocolos e falta de comprometimento com treinamentos antes do acidente que matou Maria Eduarda em Limeira

Empresário revela que um dos três detidos por morte em ponte demonstrava desapego a protocolos de segurança e resistência a treinamentos desde sua época como freelancer
Um dos três suspeitos detidos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, durante um salto em Limeira (SP), apresentava negligência com segurança que precedeu o acidente fatal há menos de um ano, conforme relatado por seu antigo empregador.
Luís Felipe Egoroff trabalhou como freelancer na empresa Alta Queda entre 2018 e 2023, período em que demonstrou padrão consistente de desapego aos protocolos de proteção. Após deixar a companhia, ele e Maicon Fernandes Cintra—também preso—fundaram o Entre Cordas, negócio no qual ocorreu o salto que custou a vida de Maria Eduarda.
Desrespeito recorrente a técnicas de proteção
O ex-patrão presenciou, em 2023, o então colaborador preparando o equipamento de uma cliente utilizando método obsoleto e menos seguro para prender mosquetões, que são conectores metálicos essenciais para fixar as cordas. Quando orientado sobre o procedimento correto, Egoroff reagiu com irritação e arrogância, segundo relato.
Esse padrão não era isolado. Testemunhas do ambiente corporativo indicam que o suspeito demonstrava confiança excessiva em sua experiência—superior a 5 mil saltos realizados ao longo de sua carreira—e subestimava a importância das verificações de segurança repetidas.
Rejeição a processos de melhoria contínua
A estrutura organizacional da Alta Queda incluía programas de aprimoramento profissional e testes periódicos. Egoroff consistentemente relutava em participar dessas iniciativas, interpretando-as como desnecessárias. Um colega anônimo relatou que o investigado considerava “excessivo” o número de checagens realizadas antes de cada atividade.
Os diretores da empresa utilizavam sistema de comunicação por rádio especificamente para monitorar a segurança durante cada etapa dos saltos. Quando questionado mais de uma vez sobre procedimentos específicos, o suspeito demonstrava incômodo visível, criando ambiente de tensão.
Desligamento após avaliação de risco
Há três anos, a administração da Alta Queda optou por desligar Egoroff e outros colaboradores como parte de reestruturação focada no reforço do compromisso com segurança. Tentativas anteriores de orientação não produziram mudanças comportamentais duradouras, levando à decisão de afastamento.
O cenário levanta questões sobre a continuidade de práticas negligentes quando profissionais desligados fundam seus próprios negócios. A investigação atual apura se o Entre Cordas operava com formalização adequada ou funcionava como atividade irregular.
Confiança excessiva como fator de risco
Especialistas em segurança reconhecem que experiência profissional elevada, quando desassociada de rigor metodológico, constitui fator de risco amplificado. A afirmação de uma testemunha resume essa dinâmica: a trajetória de muitos saltos pode gerar confiança desproporcional ao grau real de segurança, especialmente quando protocolos são negligenciados.
A morte de Maria Eduarda em junho de 2026 representa o culminar dessa cultura de negligência. Autoridades investigam a formalização da empresa, qualificação dos envolvidos e cumprimento de normas de segurança no estado de São Paulo.
Egoroff aguarda julgamento enquanto a defesa permanece silenciosa sobre as acusações. O caso reforça discussões sobre fiscalização de atividades de alto risco e responsabilidade de operadores que desconsideram protocolos estabelecidos.





