PL recebe R$ 881,6 mi do fundo eleitoral; concentração cresce

Partido Liberal triplica recursos em comparação com 2022; seis maiores siglas concentram 65% do total distribuído

PL recebe R$ 881,6 mi do fundo eleitoral; concentração cresce
Gráfico mostra distribuição do Fundo Eleitoral para 2026 entre legendas. Foto: Alberto Correa – Arte/g1 — 1 de 2
Distribuição do Fundo Eleitoral para 2026 — Foto: Alberto Correa – Arte/g1

Fundo eleitoral 2026 privilegia grandes bancadas. PL recebe R$ 881,6 milhões, triplicando recursos de 2022. PT vem em segundo com R$ 615,3 milhões.

O fundo eleitoral para 2026 concentrará recursos em partidos com maiores bancadas parlamentares, revelando um modelo de financiamento público que recompensa o tamanho político das legendas. O Partido Liberal lidera o ranking com R$ 881,6 milhões, triplicando o recebimento de 2022.

Critério de votação define fatia de cada partido

A Lei Orçamentária Anual estabelece quatro componentes para a divisão. Dois por cento vão igualmente a todos os partidos registrados. Trinta e cinco por cento seguem a votação conquistada para a Câmara dos Deputados. Quarenta e oito por cento são alocados conforme o número de deputados federais eleitos, considerando fusões e incorporações. Os quinze por cento restantes dependem da representação no Senado Federal.

Essa estrutura beneficia siglas consolidadas nas estruturas legislativas. Quanto mais votos um partido mobiliza e mais parlamentares consegue eleger, maior será sua participação no financiamento da próxima disputa eleitoral.

Grandes siglas dominam orçamento político

O PT aparece na segunda posição com R$ 615,3 milhões (12,4% do total), um crescimento de 23% em relação a 2022. União Brasil receberá R$ 526,2 milhões, PSD ficará com R$ 421 milhões, PP terá R$ 417 milhões e MDB contará com R$ 400 milhões. Essas seis legendas concentram 65% dos recursos disponíveis.

Dinâmica de poder reforça estrutura dos grandes

O modelo vigente desde 2017, quando o Supremo Tribunal Federal proibiu doações corporativas para campanhas, funciona como mecanismo de reforço do poder político existente. Partidos maiores conquistam mais recursos para investir em estrutura, viagens, profissionais e alcance territorial. Esse capital extra facilita a atração de votos, que por sua vez garante ainda mais financiamento na eleição seguinte.

Os recursos são liberados apenas em anos eleitorais, e o montante total permanece em R$ 4,96 bilhões desde últimos pleitos. Contudo, a redistribuição entre legendas reflete mudanças nas bancadas parlamentares, especialmente o crescimento do PL nos últimos ciclos eleitorais.