Espetáculo com Carmen Jorge, Elke Siedler e Juliana Adur revisita conceitos de Walter Benjamin sobre anestesiamento corporal

Retorno de Choque marca duas décadas da produtora Rumo de Cultura com espetáculo que explora conceitos filosóficos através da linguagem corporal
Choque retorna com reflexão sobre anestesiamento corporal
A peça de dança Choque marca o retorno às programações de artes cênicas com uma proposta que dialoga diretamente com a filosofia de Walter Benjamin. O espetáculo, que integra as celebrações dos 20 anos da produtora Rumo de Cultura, traz para o palco questões sobre como os corpos absorvem e respondem aos estímulos contemporâneos.
Direção de Fernando de Proença estrutura abordagem benjaminiana
Fernando de Proença conduz a montagem em uma investigação sobre conceitos desenvolvidos pelo pensador alemão. A escolha de Benjamin como eixo condutor não é casual: sua obra oferece ferramentas para pensar sobre o modo como a experiência sensória é modificada e, em certos contextos, neutralizada. A produção transpõe essas reflexões para o corpo em movimento.
Elenco composto por três intérpretes de trajectória consolidada
Carmem Jorge, Elke Siedler e Juliana Adur formam o núcleo de atuação do espetáculo. As três intérpretes trazem para a cena suas próprias vivências corporais, transformando discussões abstratas em manifestações concretas de dança. O trabalho individual e coletivo delas estrutura a dramaturgia visual da peça.
Conceito de anestesiamento como eixo dramatúrgico
O anestesiamento dos corpos, temática central, funciona como metáfora e realidade simultâneas. A peça examina como experiências repetidas, violentas ou desconectadas da sensorialidade genuína produzem efeitos no corpo dançante. Benjamin pensava sobre a modernidade e suas consequências para a percepção; Choque materializa essas preocupações.
Continuidade e inovação na programação de artes cênicas
O retorno da montagem representa tanto uma homenagem aos vinte anos de trabalho da Rumo de Cultura quanto um posicionamento sobre a permanência de questões críticas nas artes. A volta de Choque aos palcos situa-se em contexto onde produções que articulam rigor conceitual com experiência corporalmente imediata ganham espaço nas programações.





