Itaú vê apenas mais um corte na Selic em 2026

Banco eleva estimativa de taxa terminal para 14% ao ano após comunicação mais dura do Copom e piora do cenário externo

Itaú vê apenas mais um corte na Selic em 2026
Banco Central: revisão de estimativas reflete pressões inflacionárias e externa

Itaú revisa projeção para a Selic 2026, antecipando apenas uma redução adicional ante quadro mais restritivo de juros globais.

Itaú revisa projeções de Selic 2026 em cenário mais restritivo

O Itaú Unibanco revisou para cima sua estimativa de taxa terminal de juros, sinalizando expectativa de apenas um corte adicional na Selic 2026. A instituição elevou a projeção de 13,75% para 14% ao ano, refletindo mudanças na comunicação do Copom e pressões externas sobre a economia brasileira.

Comunicação mais dura do Copom

A reunião do Copom em junho evidenciou um tom mais assertivo da autoridade monetária, indicando disposição de manter juros elevados por mais tempo. O banco interpretou os sinais emitidos pelo Banco Central como reflexo de preocupações genuínas com a dinâmica inflacionária doméstica.

Esta postura contrasta com expectativas anteriores de cortes mais frequentes, sugerindo que o Copom prioriza o controle de preços em detrimento do alívio nas taxas de financiamento.

Deterioração do cenário externo

Além dos fatores domésticos, o Itaú aponta para a piora das condições econômicas internacionais como fator determinante. O quadro global mais desafiador, incluindo incertezas sobre política monetária de economias desenvolvidas, pressiona a moeda brasileira e afeta a importação de inflação.

Tais pressões reduzem a margem do Banco Central para reduzir agressivamente a taxa básica, forçando uma estratégia de normalização mais gradual.

Implicações da nova projeção

A revisão do Itaú sugere que investidores e formuladores devem antecipar um horizonte de juros reais positivos e elevados durante 2026. Apenas um corte adicional manteria o custo do dinheiro em patamares que favorecem a poupança em relação ao consumo e investimento em renda variável.

O banco não descarta completamente uma pausa nos cortes, indicando flexibilidade conforme a inflação evolua nos próximos meses. Essa posição reflete incerteza residual sobre a trajetória dos preços e a resilência da demanda doméstica.