Brasileiros que associam pobreza à preguiça saltam de 22% para 40%

Pesquisa Datafolha mostra crescimento recorde na percepção de que falta de vontade de trabalhar causa pobreza; visão sobre falta de oportunidades cai

Brasileiros que associam pobreza à preguiça saltam de 22% para 40%
No começo dos anos 2000, Brasil viu PIB per capita crescer 32%, desigualdade cair e pobreza diminuir à metade. Foto: MARCELLO CASAL/AGÊNCIA BRASIL

Levantamento realizado em junho aponta que proporção de brasileiros que ligam pobreza à preguiça quase dobrou em quatro anos, atingindo maior recorde desde 2013.

A perspectiva de brasileiros sobre as causas da pobreza e preguiça registra transformação acentuada nos últimos quatro anos, conforme levantamento do Datafolha divulgado nesta semana. O percentual dos que atribuem a condição de pobreza à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” passou de 22% em 2022 para 40% em 2026, representando o maior avanço em toda a série histórica iniciada em 2013.

Mudanças na percepção sobre desigualdade social

Paralelamente ao crescimento da tese da preguiça, observa-se retração na visão tradicional sobre oportunidades. A proporção de brasileiros que creditam a pobreza à falta de oportunidades iguais para ascensão social diminuiu significativamente, saindo de 76% em 2022 para 58% em 2026. Aproximadamente 3% dos entrevistados não souberam responder à questão.

A pesquisa integra o eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto, reunindo dez temas sobre valores sociais e políticos, incluindo questões relativas a armas, criminalidade, drogas e migração. Tal posicionamento permite compreender a mudança não como isolada, mas inserida em alteração mais ampla do comportamento político e social nacional.

Contexto econômico e histórico

A transformação na percepção contrasta com o desempenho econômico brasileiro do início dos anos 2000, período em que o país experimentou crescimento de 32% no PIB per capita, redução da desigualdade e queda de metade nos índices de pobreza absoluta. Essa conjuntura favorável não se materializou de forma equivalente nos últimos anos.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi conduzido presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais distribuídos em 139 municípios brasileiros durante os dias 17 e 18 de junho. O nível de confiança é de 95%, e a pesquisa encontra-se registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026. Estes parâmetros metodológicos conferem robustez aos dados apresentados.

Implicações políticas e sociais

O avanço expressivo na associação entre pobreza e preguiça representa o recorde em quinze anos de monitoramento, sugerindo possível reconfiguração nas narrativas sobre vulnerabilidade social no debate público nacional. A mudança na percepção pode refletir transformações no discurso político e nas prioridades de campanhas eleitorais em contexto de polarização crescente.