Pesquisas eleitorais: ABEP critica selo do TSE de acerto de votos

Associação de empresas de pesquisa alerta que iniciativa confunde ciência com previsão e cria incentivos perversos para manipulação

Pesquisas eleitorais: ABEP critica selo do TSE de acerto de votos
Presidente do TSE discute com representantes das empresas de pesquisas eleitorais. Foto: Antonio Augusto/TSE

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa crítica proposta do TSE de premiar institutos cujos levantamentos mais se aproximem dos resultados das urnas.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa criticou a proposta do Tribunal Superior Eleitoral de criar um selo para pesquisas eleitorais com maior acerto de previsão.

Em nota divulgada nesta terça-feira (14), a ABEP argumenta que a iniciativa confunde ciência com previsão. Segundo a associação, os levantamentos de intenção de voto medem preferências no momento exato da coleta de dados e não representam promessas de resultado final.

O que as pesquisas realmente medem

A ABEP destacou que existe diferença fundamental entre aferir intenção de voto e prever resultados eleitorais. Os respondentes podem alterar suas preferências, deixar de votar ou mudar comportamento até o dia da votação. A entidade afirmou que “exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”.

A volatilidade do eleitorado brasileiro é documentada. Campanhas intensivas, eventos políticos e até fatores externos influenciam as decisões dos votantes entre a pesquisa e o escrutínio.

Riscos de incentivos malformados

A associação também alertou para um “incentivo perverso” embutido na proposta do TSE. Institutos de pesquisa sem rigor metodológico poderiam acompanhar levantamentos de empresas consolidadas e ajustar seus números na reta final da campanha para convergir ao consenso de mercado.

Quando o objetivo institucional muda de “produzir a melhor pesquisa” para “ganhar um selo de acerto”, o incentivo deixa de ser a excelência metodológica. Institutos sem escrúpulos poderiam abandonar protocolos científicos em favor de números mais atrativo no curto prazo.

Enfraquecimento de padrões

A ABEP sustenta que a política do TSE enfraqueceria, em vez de fortalecer, a confiabilidade das pesquisas eleitorais. A competição por acerto criaria pressão para convergência artificial dos números, eliminando diversidade de metodologias e perspectivas analíticas.

A associação reúne empresas que atuam há décadas na promoção de padrões de qualidade e boas práticas no setor de pesquisa. Sua posição reflete preocupação com integridade profissional e científica.