Especialista da UFMT alerta sobre capacidade insuficiente de silos e danos causados por chuvas atípicas em Mato Grosso

Professora da UFMT aponta que déficit de armazenagem no Brasil intensificou-se este ano com eventos climáticos extremos afetando estoques a céu aberto.
O déficit de armazenagem de grãos intensifica-se no Brasil
O Brasil enfrenta um cenário crítico no armazenamento de grãos. Segundo Solenir Ruffato, professora associada da Universidade Federal de Mato Grosso e especialista em engenharia agrícola e pós-colheita, o déficit de capacidade estática de armazenagem vem aumentando há décadas, mas ganhou proporções ainda mais alarmantes neste ano de 2026.
A pesquisadora, com formação na Universidade Estadual do Oeste do Paraná e doutorado pela Universidade Federal de Viçosa, aponta que as mudanças climáticas intensificaram o problema. Chuvas atípicas danificaram volumes significativos de grãos mantidos a céu aberto em Mato Grosso, evidenciando a vulnerabilidade da infraestrutura de armazenagem nacional.
Impacto das condições climáticas extremas
Os eventos meteorológicos anormais registrados neste ciclo afetaram diretamente produtores que dependem de soluções provisórias. Grãos expostos às intempéries sofrem degradação acelerada, gerando perdas econômicas e alimentando a urgência por investimentos estruturantes na capacidade de armazenamento.
Mato Grosso, um dos principais produtores agrícolas do país, tornou-se símbolo dessa vulnerabilidade. A exposição prolongada de estoques à chuva compromete a qualidade dos produtos e reduz sua viabilidade comercial, impactando toda a cadeia produtiva.
Debate acadêmico e setorial ganha espaço
Na antevéspera do II Simpósio Internacional do Silo Bolsa, especialistas, armazenistas, pesquisadores e produtores se reúnem para discutir soluções viáveis. O evento representa uma oportunidade crucial para alinhar estratégias entre academia, indústria e setor produtivo.
Solenir Ruffato participa ativamente desse diálogo, contribuindo com pesquisas e análises que fundamentam propostas para modernização da infraestrutura. Sua atuação reflete a crescente mobilização da comunidade científica em torno do tema.
Perspectivas para o futuro
O déficit de armazenagem não se resolve apenas com construção de novos silos. Exige-se planejamento integrado que considere variabilidade climática, investimentos públicos e privados, e inovação tecnológica. A discussão atual aponta para a necessidade urgente de expandir a capacidade de armazenamento adequado no Brasil, especialmente em regiões de alta produtividade agrícola como Mato Grosso.







