Juros elevados desaceleraram consumo das famílias e a produção industrial no período

O PIB no segundo trimestre foi sustentado por agropecuária e petróleo, mas os juros elevados frearam o consumo das famílias e a indústria
O PIB do segundo trimestre de 2026 cresceu sustentado pelos setores de agropecuária e petróleo, conforme dados divulgados. A expansão, porém, foi limitada pelo impacto dos juros elevados na economia.
O consumo das famílias desacelerou no período em consequência da elevação da taxa básica de juros. A indústria também registrou movimento de contração, refletindo o encarecimento do crédito e o menor dinamismo da demanda interna.
A agropecuária apresentou desempenho robusto no trimestre, impulsionada por safras favoráveis e pela manutenção de preços internacionais elevados. O setor de petróleo e gás também contribuiu de forma significativa para o resultado positivo do PIB.
Apesar da contribuição dos setores primário e energético, a economia brasileira enfrentou headwinds no lado da demanda. O aumento progressivo da taxa Selic, que atingiu patamares elevados para combater a inflação, reduziu o apetite das famílias pelo consumo e freou os investimentos das empresas.
O segmento industrial, que representa parcela relevante da atividade econômica, sentiu o impacto duplo da menor demanda interna e do custo mais elevado do financiamento de operações e investimentos. Setores sensíveis à taxa de juros, como construção civil e bens de consumo duráveis, registraram queda na produção.
Economistas apontam que o cenário reflete a dificuldade de conciliar o crescimento econômico com o controle inflacionário. Enquanto a agropecuária e o petróleo se beneficiam de fatores externos favoráveis, os segmentos dependentes de demanda interna enfrentam retração.





