Intenção de consumo das famílias em São Paulo cai pela quinta vez consecutiva

Índice recua 1,2% em agosto, atingindo 110,9 pontos, enquanto mais de 70% das famílias possuem algum tipo de dívida

Intenção de consumo das famílias em São Paulo cai pela quinta vez consecutiva
Consumidores enfrentam pressão no orçamento pela alta de juros e endividamento. Foto: Élida Oliveira

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias caiu 1,2% em agosto em São Paulo, registrando o quinto recuo mensal consecutivo, segundo a FecomercioSP.

A intenção de consumo das famílias paulistanas registrou em agosto o seu quinto recuo mensal consecutivo. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado mensalmente pela FecomercioSP, caiu 1,2% em relação a julho, atingindo 110,9 pontos, conforme divulgado nesta segunda-feira (21). Trata-se do recuo mais intenso do indicador desde o início do ciclo de queda em abril.

Embora o índice permaneça no campo otimista (acima de 100 pontos) e acumule alta de 4,4% ante agosto do ano anterior, o cenário de curto prazo revela uma conjuntura doméstica sufocada pelos juros elevados, pelo custo do crédito e pelo endividamento, segundo a FecomercioSP.

A diferença entre a desaceleração mensal e a melhora no comparativo interanual reflete a defasagem entre o ciclo de cortes da taxa Selic e o alívio efetivo no crédito, explica Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP. Carvalho cita também a conjuntura econômica atual, de crédito mais caro, um alto nível de endividamento, e uma inflação que ainda corrói o poder de compra, apesar da recente desaceleração.

“Apesar de a taxa Selic estar recuando, o efeito dessas quedas demora a ser sentido no bolso da população, que ainda lida com restrições severas de renda”, afirma Carvalho. A pressão no orçamento é tão aguda que consumidores de faixas de renda mais baixas estão recorrendo ao parcelamento no cartão de crédito para a compra de itens essenciais, como alimentos em supermercados, segundo a assessora.

Atualmente, mais de 70% das famílias da cidade de São Paulo possuem algum tipo de dívida, segundo dados da FecomercioSP. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou queda de 0,6% em agosto, chegando a 120,8 pontos. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, a confiança recuou 1,2%, demonstrando uma exposição maior aos custos básicos.

Em contrapartida, as famílias com renda superior a dez salários mínimos apresentaram um avanço de 0,6% no indicador, conforme a pesquisa. Carvalho explica que os consumidores de alta renda possuem maior capacidade de planejamento do orçamento e conseguem acessar o mercado de crédito com mais facilidade, sofrendo um impacto menor das oscilações econômicas.