Presidente da autarquia afirma que situação de Ricardo Harris difere da de outros servidores envolvidos no escândalo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Presidente do Banco Central confirmou que servidor comunicou a diretores sobre contrato do irmão com instituição financeira
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira (24) que um servidor da autarquia informou a dois diretores sobre contrato de prestação de serviços realizado pelo irmão com o Master.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta, mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o Master realizou pagamentos à empresa LR Consultoria, de propriedade de Leonardo Eyer Harris. A empresa teria recebido R$ 750 mil da instituição financeira no ano passado.
Leonardo é irmão de Ricardo Eyer Harris, que atua como chefe de gabinete do diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan. De acordo com a reportagem, Leonardo afirmou ter sido procurado pelo Master para prestação de consultoria na área de mineração, sem qualquer relação com o trabalho do irmão no BC.
Durante entrevista coletiva em Brasília sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo confirmou que Ricardo Harris comunicou a dois diretores da autarquia, com os quais trabalha diretamente, sobre a existência do contrato.
“O irmão trabalha na área de mineração há bastante tempo, presta consultoria para uma série de instituições na área de mineração — nada relacionado à atividade aqui –, e eu sou testemunha que o Harris tem um comportamento no Banco Central, ao longo de todo este período, que de maneira nenhuma eu posso levantar nada relativo à questão do Master”, afirmou Galípolo.
O presidente do BC ressaltou que o caso de Ricardo Harris distingue-se dos demais servidores envolvidos no escândalo. Galípolo se referia aos servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam na área de supervisão bancária e encontram-se atualmente afastados do BC.
“Existem processos internos, o Harris tem de ter toda a oportunidade para ele poder esclarecer tudo o que ele quiser esclarecer dentro das instituições internas do Banco Central”, acrescentou Galípolo.
“Mas é importante esclarecer que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. O caso dele é bastante distinto do caso dos outros servidores aqui do Banco Central.”
Galípolo afirmou ser testemunha do comportamento de Ricardo Harris durante o período em que trabalham juntos na instituição. O presidente da autarquia não forneceu detalhes adicionais sobre os processos internos que serão conduzidos pelo BC em relação ao caso.






