Fenômeno climático com 90% de probabilidade de se intensificar pode elevar preços de frescos em até 25% e reduzir safra de milho em 17%

Fenômeno climático com 90% de probabilidade de escalar para força extrema deve afetar PIB, logística e custo de alimentos no país.
O Super El Niño, fenômeno climático com mais de 90% de probabilidade de se intensificar para força extrema no último trimestre de 2026, deve impactar o Produto Interno Bruto do país, a logística e o custo dos alimentos.
De acordo com diversas entidades econômicas, incluindo o Comitê de Política Monetária (Copom), os riscos de alta na inflação podem afetar o ciclo de calibração de juros. A temperatura do Oceano Pacífico deve subir entre 2°C e 2,5°C acima da média, enquanto as temperaturas globais da terra ficarão até 1,2°C acima do normal. O Climate Impact Lab da Universidade de Chicago projeta risco de até 451 mil mortes em todo o mundo relacionadas ao calor.
“Esse ano a gente tem uma situação nunca antes vista, que é a combinação de um El Niño muito forte com um planeta muito quente e o próprio Atlântico muito quente”, afirma Alexandre Nascimento, meteorologista e sócio-diretor da Nottus Meteorologia.
No Brasil, o impacto econômico mais imediato recai sobre a inflação de alimentos frescos, como frutas, legumes e verduras. O volume de chuvas pode favorecer o crescimento do pasto, reduzindo a necessidade de confinar o gado e complementar com ração nas situações em que é possível fazer este manejo, segundo Nascimento.
Segundo o banco Itaú, a alta acumulada no grupo de alimentos frescos pode atingir cerca de 25% em 12 meses, adicionando aproximadamente 0,30 ponto percentual ao IPCA de 2026. Para 2027, os riscos inflacionários se estendem para os grãos e proteínas animais.
O Itaú afirma que, historicamente, a safra de milho é mais afetada pelo El Niño, porque o ciclo de chuvas reduz a janela para a segunda safra de plantio, conhecida como safrinha. A queda de produção estimada é de 17%. No PIB agropecuário, a estimativa é de recuo de 1,3%.
Nascimento recomenda que os produtores iniciem o plantio imediatamente após o período de vazio sanitário, para antecipar a safra de verão e tentar mitigar os impactos do El Niño. A Região Sul enfrenta risco de excesso de precipitação, tempestades severas e aumento na ocorrência de eventos climáticos extremos.






