Cade retira análise prévia obrigatória para leilão do Tecon Santos 10

Órgão suspendeu exigência após contestação de Maersk e MSC, mas mantém investigação sobre vínculos entre os grupos

Cade retira análise prévia obrigatória para leilão do Tecon Santos 10
Sede do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em Brasília (DF) Foto: Divulgação — Foto: Sede do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em Brasília (DF)  • Divulgação

O Cade decidiu não exigir análise prévia caso Maersk ou MSC vençam o leilão do megaterminal de contêineres, mas vai aprofundar exame sobre vínculos entre os grupos.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu, nesta quarta-feira (23), não exigir análise prévia obrigatória caso empresas ligadas à dinamarquesa Maersk ou à suíça MSC vençam o leilão do megaterminal de contêineres do Porto de Santos e a operação não se enquadre nos casos de notificação mandatória.

A orientação se estenderá às empresas que atuam atualmente no Porto de Santos e pretendem participar do leilão do futuro terminal. A decisão consta em despacho assinado pelo presidente interino do Cade, Diogo Thomson de Andrade, no processo que trata das operações de desinvestimento da BTP, controlada conjuntamente pela MSC e pela Maersk.

A mudança ocorreu após as duas empresas questionarem a medida anterior e argumentarem que uma licitação pública não configuraria, por si só, um ato de concentração sujeito ao controle prévio do Cade. Os grupos também alegaram que a exigência poderia interferir na modelagem do leilão, cuja definição cabe ao Poder Concedente e à Antaq.

Com a retirada da exigência, uma eventual vitória no leilão não terá que passar automaticamente por nova análise prévia do Cade apenas por envolver um dos grupos ligados à operação da BTP. O órgão, porém, não abandonou as preocupações concorrenciais relacionadas ao negócio.

O despacho determina instrução complementar para identificar quais vínculos societários, contratuais e comerciais permaneceriam entre Maersk e MSC após uma eventual mudança no controle da BTP. Também deverão ser avaliadas relações de exclusividade, preferência ou prioridade, além de mecanismos que possam permitir o compartilhamento de informações comercialmente sensíveis.

Segundo o Cade, uma eventual separação societária não necessariamente encerraria as relações econômicas entre os dois grupos. O aprofundamento da análise concentra-se justamente em manter sob vigilância os possíveis efeitos concorrenciais dos vínculos entre os grupos suíço e dinamarquês no contexto do leilão do Tecon10, que é relevante porque uma das empresas ou grupos envolvidos demonstrou interesse em participar do novo megaterminal de contêineres do Porto de Santos (SP).