Movimento lançado em congresso em Belo Horizonte busca ampliar informações sobre contaminação por fibras de poliéster, nylon e acrílico

Microplásticos de roupas sintéticas são liberados durante lavagens e chegam a mares, rios e ecossistemas, preocupando indústria e saúde pública
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) lançou o movimento Microplástico é o Fim da Linha durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão em Belo Horizonte (MG), com foco em alertar sobre contaminação por fibras sintéticas no ambiente e organismo humano.
Segundo o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, microplásticos de roupas sintéticas representam um problema ambiental e de saúde pública. “Hoje, o maior causador de contaminação no meio ambiente, dos mares, dos rios, dos peixes, dos alimentos e das pessoas são os microplásticos liberados a partir de produtos sintéticos em geral”, afirmou Portocarrero.
As partículas provenientes de materiais como poliéster, nylon e acrílico são liberadas ao longo da vida útil das peças de vestuário, principalmente durante o desgaste e as lavagens. Roupas sintéticas têm participação importante nesse processo porque liberam essas partículas durante o uso cotidiano.
De acordo com Portocarrero, o volume de liberação de microplásticos é considerável em escala global. “Se você imaginar que, neste momento, milhares de pessoas no mundo inteiro estão lavando uma peça de roupa, isso é uma injeção na veia da natureza, porque a água servida vai direto para o esgoto e pode chegar aos mares, aos rios e se infiltrar na terra”, disse o diretor.
Os microplásticos liberados nas lavagens chegam à água, ao solo e aos ecossistemas aquáticos. Uma das principais preocupações apontadas por Portocarrero é que essas partículas permaneçam no ambiente e acabem entrando novamente na cadeia de consumo humano, criando um ciclo contínuo de contaminação.
O movimento Microplástico é o Fim da Linha busca ampliar a informação sobre essas partículas, incentivar pesquisas científicas sobre o tema e estimular escolhas mais conscientes por parte da indústria têxtil e dos consumidores.






