Defesa de Bolsonaro pede liberdade ao STF com base em caso Master

Advogados argumentam que decisões recentes sobre ministro Alexandre de Moraes contradizem condenação por golpe

Defesa de Bolsonaro pede liberdade ao STF com base em caso Master
Ex-presidente Jair Bolsonaro em interrogatório sobre plano de golpe no STF. Foto: Fellipe Sampaio/STF

Defesa do ex-presidente protocola ação pedindo liberdade e revisão criminal de condenação por tentativa de golpe de Estado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou, na noite de sexta-feira (25), no STF (Supremo Tribunal Federal), uma ação que pede liminar por sua liberdade e revisão criminal de sua condenação por tentativa de golpe de Estado.

O pedido se baseia no que os advogados do presidente consideram novos entendimentos da Corte e da PGR (Procuradoria-Geral da República) no Caso Master, apresentados especialmente na sessão de 15 de setembro.

O advogado Paulo Cunha Bueno anunciou a ação em redes sociais. Segundo ele, “as posições declaradas pelo ministro Alexandre de Moraes durante a insólita sessão de julgamento da PET 16.662/DF (Caso Master), havida no dia 15, mostraram-se em absoluta relação de contrariedade com o quanto decidido na ação penal que condenou o presidente Bolsonaro”.

A defesa de Bolsonaro entende que justificativas jurídicas usadas para avançar no processo e na condenação contra o presidente tiveram entendimento distinto manifestado tanto pelo ministro Alexandre de Moraes quanto pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar um processo contra Moraes.

O principal ponto é o chamado princípio acusatório. Na ação sobre a trama golpista, apesar do pedido de arquivamento da PGR, Moraes, na condição de relator, promoveu diligências e avançou com o processo. A defesa de Bolsonaro alega que agora tanto Moraes quanto o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmam que um eventual processo contra o ministro só poderia avançar se tivesse aval da PGR.

Além disso, a defesa apresenta um argumento referente à cadeia de custódia das provas. Segundo os advogados, há “apresentação de prova nova que beneficia o requerente, consubstanciada em Parecer Técnico que identifica diversas quebras na cadeia de custódia das provas digitais (relacionadas a dispositivos eletrônicos apreendidos)”.

A tese sobre quebra na cadeia de custódia também é utilizada pelo próprio ministro Moraes para se defender no Caso Master. A defesa sustenta que as contradições procedimentais entre as decisões na ação contra Bolsonaro e na defesa de Moraes no Caso Master justificam a revisão criminal da condenação do ex-presidente.