Bancos, economistas e órgãos públicos avisaram sobre endividamento. R$ 220,6 bilhões foram movimentados em apostas em 2025.

O governo federal recebeu diversos alertas sobre efeitos negativos das apostas online antes de anunciar proibição das bets por medida provisória.
O governo federal recebeu diversos alertas sobre os efeitos negativos das apostas online antes de anunciar a proibição das bets por medida provisória nesta sexta-feira (25).
De acordo com a Gazeta do Povo, bancos, economistas, entidades do comércio e órgãos públicos avisaram que a regulamentação das apostas prejudicaria as famílias mais pobres. Os alertas se confirmaram: R$ 220,6 bilhões foram movimentados em apostas em 2025, com perdas líquidas de R$ 37 bilhões para os apostadores.
As bets foram legalizadas em dezembro de 2018, no fim do governo Michel Temer, com prazo de dois anos para regulamentação. O governo federal, ao assumir o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enxergou nas bets uma oportunidade de receita rápida para ajudar a cumprir as metas fiscais do então ministro da Fazenda Fernando Haddad. O mercado regulado entrou em vigor em 1º de janeiro de 2025, com foco na liberação de licenças e na arrecadação, não na proteção social.
A Consultoria do Senado e a Federação Brasileira de Bancos alertaram que o avanço descontrolado das bets formaria uma bolha de inadimplência no sistema financeiro. O Banco Central avisou que o vínculo entre crédito e apostas destruiria a capacidade de pagamento das famílias.
Em março de 2026, o Ibevar e a FIA demonstraram que as bets se tornaram o principal fator isolado de endividamento do país. Um estudo do Insper e StoneCo comprovou que entrar nas bets aumenta em 19,7% a probabilidade de inadimplência geral e em 38,7% a do cartão de crédito.
As confederações do comércio apontaram que as bets direcionaram renda que antes abastecia o varejo. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio indicam que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, retirou-se do varejo o equivalente a dois Natais inteiros em vendas, cerca de R$ 143 bilhões.
Outras entidades apontaram que 46% dos apostadores deixaram de consumir itens essenciais, como vestuário e supermercado, e 15% deixaram de pagar contas de luz e água para apostar. Em agosto de 2024, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões por Pix para plataformas de apostas.
O Tribunal de Contas da União confirmou a gravidade da situação, ressaltando que 37% dos apostadores entrevistados admitiram usar dinheiro destinado a despesas essenciais para jogar. O texto da lei não previu qualquer filtro de cruzamento de CPFs de programas sociais com o cadastro de apostadores.







