EUA e Austrália suspendem embaixadas no Brasil à véspera do primeiro turno eleitoral

Polícia Federal cumpre mandados para apurar planejamento de atos contra instalações diplomáticas americanas em ação preventiva

EUA e Austrália suspendem embaixadas no Brasil à véspera do primeiro turno eleitoral
Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Foto: Waack — Foto: Waack: Brasil e EUA seguem caminho de confronto ideológico

Estados Unidos e Austrália suspenderam serviços de embaixadas no Brasil nesta sexta-feira (2). Reino Unido emitiu alerta para evitar eventos políticos.

Os Estados Unidos e a Austrália suspenderam os serviços de suas embaixadas no Brasil nesta sexta-feira (2), às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras.

O Reino Unido emitiu alerta recomendando que cidadãos britânicos que estejam no país evitem eventos políticos durante o período eleitoral.

A Polícia Federal informou que cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil. Segundo a corporação, trata-se de ação preventiva, adotada em investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal e fruto da cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras.

A analista de assuntos internacionais avaliou que orientações de cautela eleitoral fazem parte de protocolo comum adotado por diversos países em períodos de eleições polarizadas. Segundo ela, recomendações para evitar aglomerações e comícios políticos são medidas de praxe.

“O Reino Unido seguiu um protocolo que boa parte das autoridades no mundo todo costumam adotar quando se tem algum tipo de evento significativo num país, como uma eleição polarizada.”

No entanto, a analista destacou que a postura americana vai além do protocolo habitual. A medida se distingue pelo tom, pela gradação e pelo momento em que foi adotada. Como precedente, foi citada a decisão americana de encerrar atividades diplomáticas na Turquia em 2020, ocasião em que havia ameaças críveis e identificadas publicamente, como riscos de sequestro e violência contra diplomatas.

“O caso brasileiro é diferente porque não vem apresentado com nenhuma evidência palpável, pelo menos ao grande público, nesse momento.”

A analista também comentou o fechamento da embaixada australiana, ocorrido logo após a decisão americana. A Austrália citou ameaças de terrorismo e de crimes violentos no Brasil ao justificar o fechamento temporário de sua representação em Brasília. A analista apontou duas hipóteses para a ação australiana: a primeira seria um excesso de cautela, considerando que a embaixada da Austrália fica a cerca de um quilômetro da embaixada americana. A segunda hipótese, mais complexa, leva em conta a integração da Austrália na rede de inteligência Five Eyes.