Mais de 33,4 milhões de eleitores deixaram de ir às urnas neste domingo. Taxa supera a de 2022 e é a maior desde 1998, segundo dados com 99,99% apurados.

Abstenção nas eleições 2026 atinge 21,08%, a maior desde 1998, afetando mais de 33,4 milhões de brasileiros no primeiro turno.
Mais de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de ir às urnas neste domingo (4) no primeiro turno das eleições de 2026. A abstenção chegou a 21,08%, acima dos 20,95% de 2022, e é a maior desde 1998, segundo dados com 99,99% das urnas apuradas até 0h1 desta segunda-feira (5).
Dos 158,7 milhões de eleitores aptos, Mato Grosso do Sul apresentou a maior ausência, com 23,87%, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Ceará registrou o menor índice do país, com 15,52%. Os votos brancos somaram 1,84%, e os nulos, 2,93%.
O aumento da abstenção é uma tendência crescente nas últimas duas décadas. Em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou José Serra (PSDB), 17,74% dos eleitores não votaram no primeiro turno. Quatro anos depois, em 2006, o índice caiu para 16,75%, o menor da série recente. A partir daí, a curva só subiu: 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022. Em 2014, isso significou mais de 27,6 milhões de pessoas fora das urnas.
Segundo Eduardo Grin, cientista político da FGV, a alta está ligada à dificuldade das candidaturas de empolgar o eleitor. “Nessa eleição, o desânimo, o descrédito e o desalento superam palavras como esperança e a ideia de um mundo melhor depois das eleições. A política deixa de ser um elemento que empolga”, afirma.
Outro fator apontado é a disputa entre os campos de Lula e da família Bolsonaro, que afasta parte da população por tratar de temas distantes do cotidiano. “As pessoas querem saber o que os candidatos têm para resolver o problema da segurança, da saúde pública, do transporte público”, diz Grin.
Há também eleitores que rejeitam ambos os lados e não encontram uma terceira opção viável. “Um tempo atrás, a gente diria que candidaturas com cerca de 50% de rejeição não têm como ser competitivas. Mas eles têm, ao mesmo tempo, 50% de rejeição e quase 50% de apoio. Quem não quer nenhum dos dois não se sente motivado”, explica o especialista.
Fatores práticos também contribuem para a ausência nas urnas, especialmente entre eleitores de menor renda. A distância até a seção eleitoral, o custo do transporte e a falta de tempo são barreiras importantes. Moradores de municípios pequenos e regiões de difícil acesso, assim como áreas afetadas por eventos climáticos, também registram maior abstenção. O envelhecimento da população igualmente contribui para o aumento da taxa.







