Senador do PL se reúne com ministros da Corte para sinalizar harmonia caso candidato seja eleito presidente

Secretário-geral do PL é escalado para tentar serenar ânimos na Corte e sinalizar que candidato defende diálogo com Judiciário
O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem buscado sinalizar a defesa de uma relação harmônica com o Supremo Tribunal Federal caso seja eleito. Para isso, o senador Rogério Marinho (PL), secretário-geral do partido e coordenador da campanha do candidato, foi escalado para tratar do tema com os ministros da Corte.
Marinho já se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, e deve conversar nesta terça-feira (6) com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin. O objetivo é tentar serenar os ânimos no Supremo e sinalizar que o candidato de direita defende o diálogo com o Poder Judiciário.
A mensagem central da campanha é que Flávio não possui o mesmo perfil do pai, Jair Bolsonaro (PL), que entrou em confronto com a Suprema Corte durante seu mandato. Além disso, a intenção é lembrar que até mesmo o ex-presidente dialogou com ministros da Corte, como Dias Toffoli.
A ofensiva de Flávio também deve contar com a ajuda do senador Carlos Portinho (PL-RJ) e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, conhecidos pela postura ponderada. No partido, dirigentes nacionais indicam que o ex-presidente Michel Temer (MDB) e a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) também podem ajudar na ofensiva de diálogo, sobretudo junto aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
O PL se divide internamente sobre o discurso em defesa do impeachment de ministros da Suprema Corte. O grupo mais radical defende a abertura de processos na futura legislatura, que terá o PL como maior bancada federal. Já o grupo moderado avalia que é preciso dar tempo à Suprema Corte para se ajustar ao diálogo com a nova gestão e que o instrumento do impeachment pode ser mais bem usado como estratégia política de pressão.
Segundo Valdemar Costa Neto, o partido não deve apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado Federal. A tendência, conforme avaliam dirigentes de direita, é de que um nome de fora do PL tenha maior adesão na disputa pelo comando da Casa, como os de Tereza Cristina (MS) e Arthur Lira (AL), ambos do PP. Os dois são conhecidos por defenderem uma postura de diálogo com o Poder Judiciário.






