Flávio Bolsonaro escala Rogério Marinho para diálogo com STF

Senador do PL se reúne com ministros da Corte para sinalizar harmonia caso candidato seja eleito presidente

Flávio Bolsonaro escala Rogério Marinho para diálogo com STF
Senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro Foto: REUTERS/Mateus Bonomi — Foto: Senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro  • REUTERS/Mateus Bonomi

Secretário-geral do PL é escalado para tentar serenar ânimos na Corte e sinalizar que candidato defende diálogo com Judiciário

O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem buscado sinalizar a defesa de uma relação harmônica com o Supremo Tribunal Federal caso seja eleito. Para isso, o senador Rogério Marinho (PL), secretário-geral do partido e coordenador da campanha do candidato, foi escalado para tratar do tema com os ministros da Corte.

Marinho já se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, e deve conversar nesta terça-feira (6) com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin. O objetivo é tentar serenar os ânimos no Supremo e sinalizar que o candidato de direita defende o diálogo com o Poder Judiciário.

A mensagem central da campanha é que Flávio não possui o mesmo perfil do pai, Jair Bolsonaro (PL), que entrou em confronto com a Suprema Corte durante seu mandato. Além disso, a intenção é lembrar que até mesmo o ex-presidente dialogou com ministros da Corte, como Dias Toffoli.

A ofensiva de Flávio também deve contar com a ajuda do senador Carlos Portinho (PL-RJ) e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, conhecidos pela postura ponderada. No partido, dirigentes nacionais indicam que o ex-presidente Michel Temer (MDB) e a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) também podem ajudar na ofensiva de diálogo, sobretudo junto aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

O PL se divide internamente sobre o discurso em defesa do impeachment de ministros da Suprema Corte. O grupo mais radical defende a abertura de processos na futura legislatura, que terá o PL como maior bancada federal. Já o grupo moderado avalia que é preciso dar tempo à Suprema Corte para se ajustar ao diálogo com a nova gestão e que o instrumento do impeachment pode ser mais bem usado como estratégia política de pressão.

Segundo Valdemar Costa Neto, o partido não deve apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado Federal. A tendência, conforme avaliam dirigentes de direita, é de que um nome de fora do PL tenha maior adesão na disputa pelo comando da Casa, como os de Tereza Cristina (MS) e Arthur Lira (AL), ambos do PP. Os dois são conhecidos por defenderem uma postura de diálogo com o Poder Judiciário.