Ratinho Júnior vê sucessores perderem eleição no Paraná para Sergio Moro

Nenhum dos três candidatos apoiados pelo governador se elegeu em 2026, apesar de aprovação de 79% da gestão estadual

Ratinho Júnior vê sucessores perderem eleição no Paraná para Sergio Moro
Nenhum dos candidatos de Ratinho Júnior se elegeu. Foto: Arquivo/Átila Alberti/Tribuna do Paraná.

Sandro Alex (PSD), Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD) não conseguiram se eleger nas Eleições 2026. Sergio Moro (PL) venceu no primeiro turno.

Nenhum dos principais nomes escolhidos pelo governador Ratinho Júnior (PSD) para suceder sua administração foi eleito nas Eleições 2026 no Paraná. Os candidatos apoiados eram Sandro Alex (PSD) ao governo, Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD) ao Senado, além de Rafael Greca (MDB) como vice de Sandro.

Apesar de a gestão estadual contar com aprovação de 79% dos eleitores, quem se elegeu foi Sergio Moro (PL) para o governo, já no primeiro turno. Ao Senado, os eleitos foram Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), ambas as vagas conquistadas por apoiadores do vencedor da corrida ao Palácio Iguaçu.

Segundo especialistas consultados, a derrota dos candidatos governistas pode ser explicada por dois fatores principais: a demora na escolha do principal nome da sucessão e o crescimento do PL no cenário nacional. Para o jornalista e economista João Zisman, colunista, a disputa com Moro não se limitava a um candidato comum.

“A disputa com Sérgio Moro não foi contra um candidato. A disputa seria, para qualquer um dos candidatos que fosse escolhido, uma disputa com uma verdadeira instituição. Tanto Moro como Dallagnol fizeram Curitiba a sede do país durante alguns anos por causa da Lava Jato.”

Com os resultados consolidados, Ratinho Júnior sai enfraquecido da eleição, já que não conseguiu garantir a continuidade do projeto político que conduziu nos últimos oito anos no Paraná. O cientista político Mario Sérgio Lepre, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), apontou a incapacidade de converter aprovação em votos como um dos principais problemas.

“É um governo muito bem avaliado e, via de regra, governos bem avaliados têm, sem dúvida alguma, muitas cartas para fazer a continuidade. Essa é uma regra bem clara e isso não foi usado. Quer dizer que houve algum erro grave porque não se reverteu essa avaliação positiva em votos.”

Ao longo do segundo mandato, Ratinho Júnior se projetou como possível candidato à Presidência da República enquanto mantinha um grupo de potenciais sucessores no PSD e no secretariado estadual. Três nomes despontavam entre os principais cotados: Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba; Guto Silva, ex-secretário das Cidades; e Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa.