Bolsa acumula valorização de R$ 400 bilhões em um dia, impulsionada por expectativa de alternância de poder e queda do dólar

Ibovespa operava em máximas históricas na sexta-feira (9), com mercado precificando pesquisas eleitorais, apesar de inflação de 0,82% em setembro.
O Ibovespa operava nas máximas históricas na sexta-feira (9), sustentado pela repercussão de pesquisas eleitorais sobre o segundo turno da disputa presidencial que apontaram Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mercado financeiro seguiu precificando o cenário eleitoral apesar dos dados de inflação divulgados pela manhã.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,82% em setembro, conforme divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O indicador foi puxado principalmente pela alta da energia elétrica com o fim do bônus de Itaipu, distribuído uma vez por ano nas contas de energia residencial para consumidores de até 340 quilowatts. O benefício havia provocado uma queda artificial nos preços em agosto; com o fim do bônus, os preços voltaram a subir em setembro.
O grupo de habitação, onde se concentra a conta de energia, foi o maior responsável pela alta do IPCA, com uma elevação média de quase 8% na energia, contribuindo com 0,32 ponto percentual do total. Em seguida, o grupo de transportes registrou alta de 0,89%, impulsionado pela gasolina, etanol e passagens aéreas. O grupo de alimentação e bebidas também voltou a subir após três meses em queda, com destaque para batata, cebola e tomate. Ao todo, os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram alta no período.
Apesar do resultado da inflação, o mercado continua olhando para frente, precificando as expectativas para 2027. A queda do dólar — que operava em recuo de 0,8%, cotado a R$ 4,98 — foi apontada como fator relevante no controle da inflação e na abertura de espaço para novos cortes na taxa Selic. A expectativa do mercado é de que a Selic seja reduzida em 0,25 ponto percentual, encerrando o ano em 13,25%.
O desempenho expressivo da Bolsa reflete as pesquisas eleitorais divulgadas na véspera. A perspectiva de alternância de poder gerou entrada de capitais, queda do dólar e forte valorização das ações. O volume médio negociado na B3, que estava em R$ 18 bilhões durante o período recente, saltou para R$ 50 bilhões. Em apenas um dia, as empresas listadas na Bolsa acumularam valorização superior a R$ 400 bilhões. A equipe econômica de Flávio Bolsonaro propõe um corte de R$ 200 bilhões nos gastos públicos, equivalente a 1,5% do PIB, envolvendo redução de ministérios e cargos.







