Kayath enfrenta resistência de bolsonaristas para assumir Fazenda

Ex-presidente do Credit Suisse é cotado para o cargo, mas declarações de 2022 em apoio a Lula geram desconfiança na base

Kayath enfrenta resistência de bolsonaristas para assumir Fazenda
Decisões econômicas, inflação e mercado afetam dia a dia. Foto: Pixabay / Luis Wilker.

Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, enfrenta resistência entre bolsonaristas para assumir Ministério da Fazenda

Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e sócio da gestora QMS Capital, é cotado para assumir o Ministério da Fazenda caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença as eleições presidenciais. Conforme informou a Gazeta do Povo, o nome do executivo enfrenta resistência entre a base bolsonarista, mesmo com o apoio de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato.

A desconfiança tem origem em declarações públicas feitas por Kayath em 2022. Naquela época, o executivo afirmou ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas a Jair Bolsonaro.

“O problema é fiscal e, nesse ponto, Bolsonaro oferece muito mais riscos do que Lula. Ele não é de direita, é maluco.”

Apesar da resistência interna, o mercado financeiro aposta no nome do ex-banqueiro para o cargo. Kayath defende como estratégia econômica o corte de despesas obrigatórias do governo, argumentando que o Brasil não conseguirá equilibrar as contas públicas apenas reduzindo gastos não obrigatórios.

Esta posição surge em um contexto em que o déficit nominal do setor público chegou a cerca de 9,5% do PIB em 12 meses até agosto. A inflação está em 4,58% ao ano, acima do teto da meta de 3%. Para controlar a alta de preços, o Banco Central mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano.

Em entrevista à Bloomberg, Kayath disse que a compra de ativos brasileiros após o primeiro turno reflete uma mudança nas expectativas dos investidores. Segundo ele, a recuperação definitiva da confiança depende de reformas fiscais rápidas.

As críticas de Kayath ao governo anterior remontam a 2021. Em julho daquele ano, ao avaliar a gestão do então ministro Paulo Guedes, afirmou ao jornal Valor Econômico que “a Faria Lima gosta de se iludir”. Segundo ele, Guedes criou uma percepção positiva de curto prazo, mas a realidade chegou depois.

Em janeiro de 2022, em nova entrevista ao mesmo jornal, Kayath reafirmou seu voto em Lula e participou de encontros com empresários em apoio à candidatura petista, citando o ajuste fiscal de 2003 como exemplo de responsabilidade fiscal.