IBGE registra retração no setor de serviços brasileiro em agosto

Volume caiu 0,1% frente a julho, frustrando expectativas de crescimento de 0,4% dos economistas consultados

IBGE registra retração no setor de serviços brasileiro em agosto
Setor de serviços do Brasil registrou queda em agosto de 2026

O desempenho do setor de serviços caiu 0,1% frente a julho, segundo dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira, evidenciando desaceleração da atividade econômica

O volume do setor de serviços do Brasil recuou 0,1% em comparação com julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (14 de outubro). A queda frustra expectativas de economistas consultados em pesquisa da Reuters, que esperavam crescimento de 0,4% na comparação mensal.

Na comparação anual, o setor apresentou alta de apenas 0,6%, abaixo da projeção de 1,1% divulgada pela Reuters. Em julho, o setor de serviços já havia mantido-se estável sobre o mês anterior, não atendendo às expectativas de crescimento.

Três das cinco atividades acompanhadas apresentaram retração em agosto: transportes (-0,2%), profissionais, administrativos e complementares (-0,2%) e outros serviços (-1,0%). Os serviços prestados às famílias cresceram 2,1%, enquanto o segmento de informação e comunicação ficou estável, segundo o IBGE.

“Não é uma virada de chave ou trajetória, o que se vê é uma acomodação do segmento de serviços, visto que mesmo com taxas perto de zero o setor segue perto do pico,” afirmou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Lobo informou que o setor foi contido principalmente pela pressão dos preços mais altos de combustíveis sobre transporte de cargas e aéreos.

O setor de serviços está 19,9% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 0,3% abaixo do auge da série histórica (outubro de 2025), conforme dados do IBGE. A economia brasileira vem mostrando desaquecimento em meio a juros elevados, ainda que em queda, e incertezas geopolíticas globais.

Em julho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou retração de 0,5% sobre junho, no terceiro recuo mensal consecutivo do índice, segundo informações do banco regulador.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, ponderou que a despeito da retração dos serviços em agosto, o setor ainda mostrou “boa composição”. Ela destacou a alta de 2,1% nos serviços prestados às famílias, que têm peso importante no cálculo do PIB.

Moreno informou que o setor de serviços vem mostrando certa estabilidade nos últimos meses, mas continua mostrando expansão em relação a 2025, com expectativa de que esse ritmo mais moderado continue nos próximos períodos.